Após fortes chuvas registradas nas últimas 24 horas, o Rio Vermelho transbordou na manhã desta terça-feira (6), na Cidade de Goiás. A elevação do nível da água provocou alagamentos, incluindo a Rua da Prefeitura, no centro do município.

Vídeos gravados pelo professor Glauco Gonçalves, da Universidade Federal de Goiás (UFG), por volta das 13h, mostram que a água já havia alcançado a Ponte da Lapa, nas proximidades da casa da poetisa Cora Coralina. As imagens também evidenciam a força da correnteza.

Segundo o professor, que integra o Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e o Programa de Pós-Graduação em Ensino na Educação Básica da UFG, o transbordamento não foi causado por uma chuva isolada e intensa, mas pelo acúmulo gradual de precipitações desde a noite anterior.

“A chuva tem se acumulado nas últimas 24 horas, mas não houve uma grande chuva repentina, e sim um acúmulo de precipitações graduais desde a noite passada”, relatou Glauco.

Ainda de acordo com ele, a situação gerou preocupação entre os moradores. No momento da gravação dos vídeos, o Corpo de Bombeiros interditou a ponte que dá acesso à Santa Casa de Misericórdia, localizada às margens do rio.

“A população fica sempre em alerta. O principal temor era que o rio subisse e invadisse o hospital”, destacou.

A Santa Casa, que completou 200 anos em 2025, é um dos principais pontos de referência histórica e de atendimento em saúde da região.

Dados da Rede de Alerta de Chuvas Intensas, do Centro de Informações Hidrológicas e Meteorológicas de Goiás (Cimehgo), vinculado à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), apontam que o volume de chuva chegou a 115,6 milímetros em um trecho do rio nesta terça-feira — índice considerado elevado.

Por volta das 16h, o professor informou que a situação já apresentava melhora e que a ponte de acesso à Santa Casa havia sido liberada.

“O risco de enchentes no centro histórico da Cidade de Goiás sempre gera temor na população. A última grande enchente ocorreu por volta dos anos 2000 e 2001, período do tombamento da cidade pela Unesco, quando houve a queda da Cruz do Anhanguera, episódio que se tornou um símbolo daquele momento”, relembrou.

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