O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou 23 pessoas por envolvimento em um esquema de corrupção que teria contado com a participação de policiais civis.
De acordo com a investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), mensagens obtidas em celulares apreendidos revelam conversas em que um doleiro se refere ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) como um “banco”, onde “só se deposita” e “nunca se saca”, em referência a supostos pagamentos de propina para travar investigações.
A apuração deu origem à Operação Bazaar, deflagrada em 5 de março, que resultou na prisão de nove pessoas.
Segundo o MPSP, o material analisado aponta para a existência de um esquema estruturado de pagamento de propinas, chamadas de “despesas do Deic”, com divisão de valores por meio de empresas de fachada e também em dinheiro vivo.
Em um dos episódios citados na denúncia, policiais civis teriam solicitado R$ 5 milhões para interromper investigações no 16º Distrito Policial, na região da Vila Clementino.
Os promotores pedem a condenação dos envolvidos por crimes como associação criminosa, corrupção ativa e passiva, além de fraude processual. No caso dos agentes públicos, o Ministério Público também solicita a perda dos cargos.
As investigações indicam que o esquema pode ter atuado desde agosto de 2020, com o objetivo de frustrar apurações e evitar responsabilizações, contando com a participação de policiais corrompidos.
