quarta-feira, 14 de outubro de 2026
Dinossauros do Parque Mutirama fazem parte das lembranças de gerações de crianças que frequentaram o tradicional espaço de lazer de Goiânia

Lazer Segregado: Pesquisa da UFG revela que mudanças no Parque Mutirama afastaram crianças de baixa renda

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Júnior Silva

Publicado em: 14/10/26 – 09:38

Lazer Segregado: Pesquisa da UFG revela que mudanças no Parque Mutirama afastaram crianças de baixa renda

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Júnior Silva

Publicado em: 14/10/2026
09:38
Dinossauros do Parque Mutirama fazem parte das lembranças de gerações de crianças que frequentaram o tradicional espaço de lazer de Goiânia

O Parque Mutirama, um dos símbolos mais duradouros da infância e do lazer em Goiânia, está no centro de um debate sobre inclusão e segregação urbana. Uma pesquisa divulgada nesta semana pela Universidade Federal de Goiás (UFG) concluiu que as sucessivas mudanças nas regras de acesso e no funcionamento do espaço ao longo dos anos afastaram progressivamente as crianças de baixa renda, contrariando o projeto original do parque.

A perda da função social e o projeto original

Inaugurado em uma época em que os parques infantis brasileiros eram projetados para garantir o direito ao lazer às famílias trabalhadoras, o Mutirama nasceu com o objetivo claro de promover a integração social. A ideia era que crianças de diferentes realidades socioeconômicas pudessem dividir os mesmos brinquedos, convivendo em um espaço educativo e democrático.

No entanto, a pesquisadora responsável pela dissertação da UFG, que acompanhou as atividades no local e entrevistou funcionários, observou que essa essência foi se perdendo. O estudo destaca que as barreiras financeiras e operacionais começaram a ditar quem poderia ou não frequentar o espaço, transformando o lazer público em uma experiência excludente.

Barreiras invisíveis e o impacto nas famílias

A análise acadêmica não se ateve apenas aos números absolutos de frequência, mas focou nas dinâmicas de acesso. A pesquisa revelou situações contraditórias na gestão do parque: enquanto uma criança conseguia visitar o Mutirama gratuitamente por meio de excursões escolares, sua família enfrentava dificuldades financeiras para acessar o mesmo local durante os fins de semana ou períodos de folga.

Essas imposições geraram um processo de segregação velada. Sem acesso ao lazer público de qualidade, as crianças de bairros periféricos e de famílias de baixa renda acabam sendo as mais penalizadas, perdendo um importante ponto de convivência e desenvolvimento social no coração da capital.

O futuro do parque e a possível cobrança de ingressos

O debate levantado pela UFG ganha ainda mais relevância diante das propostas futuras para a gestão do espaço. Segundo informações divulgadas, existe a previsão de que o Parque Mutirama passe a cobrar ingressos aos fins de semana a partir de 2027. Essa possibilidade retoma diretamente as preocupações centrais do estudo, alertando que a cobrança pode aprofundar ainda mais as dificuldades enfrentadas pela população mais vulnerável.

Reconhecido por legislação como patrimônio histórico e cultural de Goiânia, o Mutirama agora enfrenta o desafio de equilibrar a necessidade de modernização e manutenção com a preservação de sua vocação mais essencial: ser um parque de diversões acessível a todas as crianças, independentemente da renda de seus pais.

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