A entrada em vigor das tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros ampliou a pressão de setores da indústria nacional sobre o governo federal. O descontentamento aumentou após o anúncio da revogação da chamada “taxa das blusinhas”, que zerou o imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50 realizadas por plataformas de comércio eletrônico.
Representantes da indústria avaliam que a combinação das duas medidas cria um cenário de desvantagem para os fabricantes brasileiros. Segundo o setor, empresas nacionais passam a enfrentar, simultaneamente, maiores dificuldades para exportar aos Estados Unidos e uma concorrência ampliada de produtos importados vendidos por plataformas internacionais.
Entidades como a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), a Associação Brasileira da Indústria do Vestuário (Abiv) e a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) manifestaram preocupação com a decisão do governo. Os segmentos representados pelas entidades estão entre os que podem ser impactados pelas tarifas norte-americanas.
Para os empresários, a medida representa uma dupla pressão sobre a indústria nacional. De um lado, as empresas enfrentam barreiras comerciais para acessar o mercado dos Estados Unidos. De outro, observam o aumento da competitividade dos produtos importados vendidos diretamente ao consumidor brasileiro.
O governo federal argumenta que a medida busca beneficiar os consumidores e ampliar a competitividade do comércio eletrônico. No entanto, representantes da indústria defendem a manutenção de mecanismos que garantam condições equilibradas de concorrência entre fabricantes nacionais e empresas estrangeiras.
A medida provisória que trata da isenção ainda precisa ser analisada e aprovada pelo Congresso Nacional até setembro para continuar em vigor. Até lá, o tema deve permanecer no centro das discussões entre governo, parlamentares e representantes do setor produtivo.
