A mais recente edição da Lista Forbes Bilionários Brasileiros 2026 trouxe à tona os números estratosféricos que movem a elite do agronegócio nacional, e o topo do ranking reafirma o poder de um império com raízes profundas em Goiás. Os irmãos Joesley e Wesley Mendonça Batista, acionistas do grupo J&F e da JBS, figuram como o segundo e o terceiro maiores bilionários do setor agropecuário do país, respectivamente. No cenário geral das fortunas brasileiras, ambos dividem a 17ª posição.
As cifras astronômicas: R$ 43,8 bilhões em família
O levantamento da Forbes detalha que cada um dos irmãos possui um patrimônio individual estimado em R$ 21,9 bilhões. Juntos, Joesley e Wesley controlam uma fortuna pessoal de impressionantes R$ 43,8 bilhões. Esse poderio financeiro é o reflexo direto dos resultados alcançados pelo grupo controlador J&F, que apenas no ano de 2025 registrou um faturamento global de R$ 490 bilhões.
Hoje, sob a tutela estratégica dos irmãos, o conglomerado não se resume apenas à proteína animal. A J&F diversificou fortemente seus investimentos, fincando bandeira em setores como celulose, mineração, energia, finanças, óleo e gás, e até comunicação. A estrutura monumental emprega atualmente cerca de 297 mil colaboradores em aproximadamente 250 operações espalhadas por mais de 20 países.
De um açougue em Anápolis para o domínio global
A história por trás dos bilhões é, essencialmente, a narrativa da expansão agressiva do capitalismo brasileiro. O império teve seu “ponto zero” em 1953, quando o patriarca da família, José Batista Sobrinho — o Zé Mineiro —, abriu ao lado do irmão a modesta Casa de Carnes Mineira na cidade de Anápolis, a cerca de 140 km de Caldas Novas.
Foram Joesley e Wesley, no entanto, que arquitetaram a internacionalização da companhia nas últimas décadas. Assumindo papéis de liderança desde muito jovens, eles orquestraram a abertura de capital da JBS na bolsa de valores em 2007, ano que marcou a virada de chave com a compra da norte-americana Swift & Company. Em seguida, uma agressiva política de aquisições engoliu gigantes como Pilgrim’s Pride, Seara, Cargill Pork e Moy Park, transformando a empresa goiana na maior processadora de carnes do planeta.
O peso do agronegócio na elite financeira
A presença de Joesley e Wesley no topo reflete também a força inquestionável do campo na economia do país. Segundo a Forbes, o agronegócio foi responsável por emplacar 37 dos 255 bilionários identificados no Brasil em 2026 (sendo 32 homens e 5 mulheres). Juntas, as fortunas ligadas exclusivamente ao agro somam R$ 207,7 bilhões, o que equivale a 11,2% de todo o patrimônio de R$ 1,86 trilhão mapeado pela revista.
Na divisão regional do dinheiro, o Sudeste ainda concentra o maior volume (18 nomes e R$ 89,1 bilhões). No entanto, o Centro-Oeste brasileiro, alavancado substancialmente pelo montante dos irmãos Batista, concentra R$ 46,6 bilhões nas mãos de apenas três grandes bilionários do setor, reforçando o papel de Goiás como um dos principais berços de riqueza do país.

