As empresas estatais federais acumularam um déficit de R$ 5,94 bilhões entre janeiro e abril de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta sexta-feira (29). O resultado representa o pior desempenho da série histórica iniciada em 2022.
O rombo já supera todo o déficit registrado ao longo de 2025, quando as estatais fecharam o ano com resultado negativo de aproximadamente R$ 5,1 bilhões. O cenário também mostra uma deterioração significativa em comparação com os anos anteriores.
De acordo com os números apresentados pelo Banco Central, o déficit se concentrou principalmente nos primeiros meses do ano. Somente em janeiro, o resultado negativo foi de R$ 4,9 bilhões.
Em abril, o conjunto das empresas estatais registrou déficit de R$ 1,78 bilhão, distribuído da seguinte forma:
• Empresas federais: R$ 1,53 bilhão negativos;
• Empresas estaduais: R$ 326 milhões negativos;
• Empresas municipais: superávit de R$ 76 milhões.
Nos meses anteriores, fevereiro e março também apresentaram resultados negativos, com déficits de R$ 568 milhões e R$ 469 milhões, respectivamente.
Para efeito de comparação, o déficit acumulado entre janeiro e abril foi de R$ 2,73 bilhões em 2025 e de R$ 1,68 bilhão em 2024.
O indicador do Banco Central considera apenas empresas estatais federais que não incluem gigantes como a Petrobras e a Eletrobras. Dessa forma, os números refletem principalmente a situação financeira de empresas dependentes do governo ou que enfrentam maiores dificuldades operacionais.
Entre as companhias que mais pressionam os resultados está a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Os Correios informaram ter encerrado 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões. No ano passado, a estatal também contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a um consórcio de bancos, com garantia da União.
O tema também está sob análise dos órgãos de controle. Na última semana, o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que o Tesouro Nacional aperfeiçoe os critérios utilizados na concessão de crédito para empresas estatais, após identificar irregularidades relacionadas a operações financeiras envolvendo os Correios.
Economistas acompanham os resultados com atenção devido aos impactos que o desempenho das estatais pode ter sobre as contas públicas e o equilíbrio fiscal do país.
Matéria em atualização.
