O Hospital Estadual de Urgências de Goiás Dr. Valdemiro Cruz (HUGO), localizado em Goiânia e uma das principais frentes de atendimento do estado, encontra-se no centro de uma grave denúncia trabalhista e sanitária. Neste fim de semana, colaboradores vieram a público expor as condições alarmantes de higiene na cozinha do hospital, cuja operação é gerenciada por uma empresa terceirizada, a Atami Refeições. O escândalo levanta questionamentos imediatos sobre a segurança alimentar que está sendo garantida aos pacientes internados e aos profissionais da linha de frente.
Cenário de insalubridade e risco no prato
De acordo com os relatos e imagens vazadas pelos próprios trabalhadores, a rotina dentro do refeitório do HUGO ignora normas básicas de vigilância sanitária. A principal queixa recai sobre a falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Segundo os denunciantes, quando há material disponível, trata-se de um “EPI universal”, que acaba sendo compartilhado por diversos trabalhadores durante a troca de turnos, elevando o risco de contaminação.
O quadro estrutural narrado é igualmente grave. Os funcionários apontam que as câmaras frias de armazenamento acumulam sujeira crônica. Além disso, o recebimento de verduras e hortaliças já em estado de putrefação tem sido constante, gerando desperdício e forçando o preparo em um ambiente onde pisos, fogões e paredes carecem da manutenção higiênica adequada. O problema, segundo a equipe, estende-se há mais de um ano, mas atingiu um ponto crítico nas últimas semanas.
Histórico de mal-estar e a política da “mordaça”
As denúncias ganham ainda mais peso quando cruzadas com o histórico recente da unidade. No final de agosto deste ano, o HUGO já havia registrado um episódio onde dezenas de colaboradores apresentaram sintomas severos de intoxicação gastrointestinal — como diarreia, náuseas e vômitos — horas após consumirem a refeição do refeitório.
Agora, com o vazamento de vídeos gravados às escondidas no interior da cozinha, os denunciantes alegam estar sob forte retaliação patronal. Trabalhadores relataram à imprensa que a direção da terceirizada adotou medidas de intimidação: celulares teriam sido confiscados antes de reuniões internas para evitar novos registros, enquanto colegas apontados como autores das denúncias foram afastados de suas funções ou coagidos com ameaças de demissão por justa causa.
A resposta da direção e da terceirizada
Pressionado pela repercussão do caso, o Hospital de Urgências de Goiás e a empresa responsável pela alimentação emitiram notas oficiais negando veementemente todas as irregularidades apontadas. A direção do HUGO destacou que não há nenhuma evidência técnica ou laudo laboratorial que conecte a comida servida no hospital aos sintomas de intoxicação relatados no mês passado.
A unidade de saúde também garantiu que o fornecimento de EPIs ocorre dentro das normas, que os equipamentos da cozinha passam por manutenção regular e que a produção alimentar é rigorosamente fiscalizada pelos órgãos competentes. A respeito do clima de perseguição no ambiente de trabalho, o HUGO ressaltou que não compactua com nenhuma forma de intimidação, retaliação ou assédio, reafirmando seu compromisso com a transparência e o respeito às equipes que operam na instituição.

