Um dos capítulos mais significativos da indústria mineral brasileira em 2025 ganhou destaque global com o anúncio de um aporte financeiro substancial dos Estados Unidos voltado à exploração de terras raras em Goiás. A mineradora Serra Verde Pesquisa e Mineração, com operações no município de Minaçu, assegurou um financiamento de até US$ 465 milhões da Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA (DFC) — o que equivale a cerca de R$ 2,5 bilhões no câmbio atual.
O foco desse investimento é fortalecer e ampliar a produção de terras raras na mina Pela Ema, uma das raras iniciativas comerciais fora da Ásia capazes de extrair elementos-chave como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio — minerais utilizados em ímãs permanentes, veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de defesa de alta tecnologia.
Os recursos liberados pelo DFC terão múltiplas aplicações: modernização de instalações, cobertura de despesas operacionais, refinanciamento de dívidas, constituição de reservas financeiras e outros custos relacionados ao projeto. A Serra Verde informou que o acordo ainda passa por etapas finais de revisão antes de sua conclusão, o que indica que o valor poderá ser ajustado ou acompanhado de condições adicionais conforme o desenvolvimento das operações.
Esta parceria entre Brasil e Estados Unidos acontece em meio a um cenário global de reconfiguração das cadeias de suprimento mineral. Atualmente, a China domina mais de metade da produção e quase toda a capacidade de refino de terras raras no mundo — um domínio que preocupa países ocidentais por sua importância estratégica para indústrias avançadas.
Ao mesmo tempo, o Brasil possui reservas significativas: estudos recentes destacam que o país detém a terceira maior reserva mundial de terras raras, com cerca de 21 milhões de toneladas de óxidos, atrás apenas de China e Vietnã. Apesar desse potencial, a produção brasileira ainda é incipiente em comparação aos volumes asiáticos, tornando o financiamento internacional um catalisador importante para a expansão do setor.
Além da Serra Verde, outras mineradoras com projetos em Goiás também estão envolvendo capitais estrangeiros. Por exemplo, a Aclara Resources, com projeto em Nova Roma, obteve um financiamento de US$ 5 milhões para completar estudos de viabilidade e planeja construir uma refinaria nos Estados Unidos para processar concentrados produzidos no Brasil.
Especialistas veem esse movimento como parte de uma “corrida global por terras raras”, em que o Brasil pode se tornar um ator relevante não apenas na extração, mas também em etapas mais avançadas da cadeia produtiva, desde que haja políticas públicas e investimentos contínuos em tecnologia, infraestrutura e agregação de valor local.
