Um jovem de 15 anos, suspeito de inserir mandados de prisão falsos contra o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, também vinha operando um esquema criminoso paralelo envolvendo a venda de serviços ilegais de “limpeza” de ficha criminal, segundo apuração da Polícia Civil de Goiás no âmbito da Operação Lex Data.
De acordo com as investigações da Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC), o adolescente utilizava credenciais e senhas furtadas de servidoras e magistrados do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) para acessar ilegalmente sistemas judiciais digitais, como o Projudi, que tramita processos, e o Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP), mantido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Essas credenciais eram capturadas por meio de vírus instalados em computadores de funcionários e depois comercializadas em plataformas fechadas de mensagem como “packs” de acesso.
O grupo liderado pelo adolescente, que mantinha uma rotina aparentemente humilde com os pais, aproveitava esses acessos indevidos para manipular informações judiciais, incluindo a exclusão ou inserção irregular de dados de mandados de prisão e a venda de serviços para “limpar” registros de antecedentes criminais de outras pessoas. A investigação já identificou mais de 100 movimentações fraudulentas em sistemas judiciais desde julho de 2025, com tentativas de alterar e excluir dados processuais e mandados que estavam em aberto.
A Polícia Civil esclareceu que os criminosos não invadiram diretamente os sistemas por falhas técnicas, mas sim utilizaram acessos legítimos de servidores comprometidos, o que tornava as alterações menos suspeitas para os mecanismos automáticos de validação dos sistemas judiciais. A oferta dos serviços ilegais era feita por meio de aplicativos de mensagem e plataformas fechadas, com o objetivo de lucrar com a manipulação de registros judiciais — como a remoção de nomes de bancos de mandados ou supostas anotações em histórico criminal.
A Operação Lex Data cumpriu mandados de busca e apreensão em Goiânia, Iporá (GO), no Distrito Federal e em Minas Gerais, em cooperação com as polícias civis dessas regiões, para desarticular o esquema e identificar outros integrantes e compradores dos serviços ilícitos. Embora o adolescente seja apontado como líder e ideólogo do esquema, a apuração busca esclarecer se havia outras pessoas envolvidas no fornecimento, uso ou comercialização das credenciais roubadas.
As investigações continuam em andamento para identificar o alcance completo da fraude digital e responsabilizar todos os envolvidos, além de adotar medidas para reforçar a segurança dos sistemas judiciais e coibir o uso indevido de credenciais de acesso de servidores públicos


