Em meio ao cenário de guerra, a rotina em Teerã revela um contraste marcante entre a aparente normalidade das ruas e a incerteza que domina o cotidiano da população.
Em um dia ensolarado de primavera, a movimentação na rua Sanaei Ghaznavi — repleta de lojas de mantimentos, artigos para o lar, fast-food e flores — mascara os efeitos profundos de uma crise que atinge diretamente a vida dos iranianos.
Para Mohammad, jovem comerciante de uma sapataria familiar, manter o negócio aberto é, por si só, um ato de resistência. “Fico feliz em estar aqui. Muitas pessoas perderam seus empregos”, afirma. Dentro da loja, antes movimentada, agora há poucos clientes.
Seu pai, Mustafa, que há 40 anos mantém o comércio, observa com preocupação a queda nas vendas e o impacto da crise econômica. Segundo estimativas não oficiais divulgadas pelo site iraniano Asr-e Iran, até 4 milhões de empregos podem ter sido perdidos ou afetados pela combinação da guerra envolvendo Estados Unidos e Israel e pelas restrições severas à internet impostas pelo governo.
Nas prateleiras, caixas com marcas internacionais chamam atenção, mas a realidade é outra. “Até as falsificações são caras no Irã”, relata Mohammad, destacando as dificuldades de acesso a produtos importados.
A crise também afeta diretamente o custo de vida. Do lado de fora de uma mercearia, Shahla, uma idosa, descreve o impacto da inflação. “As pessoas estão pagando três vezes mais por um pão. Estamos passando por um inferno só para comprar o básico”, diz.
Além das dificuldades econômicas, o bloqueio quase total da internet tem isolado ainda mais a população, limitando comunicação, negócios e acesso à informação.
Enquanto isso, o sentimento nas ruas mistura cansaço, resignação e incerteza. Para muitos, o futuro do país parece cada vez mais distante de seu controle.