O uso irregular de drones para transporte de pessoas tem gerado preocupação entre autoridades e especialistas em aviação. Casos recentes reacenderam o debate sobre os limites de segurança e os riscos da prática.
Entre os episódios registrados está o de um homem que voou dentro do reservatório de uma aeronave agrícola adaptada e uma apresentação durante o Carnaval no Rio de Janeiro, na qual uma pessoa foi elevada por um equipamento aéreo.
Denúncia formal à Anac
O Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) denunciou formalmente à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) um operador em Tucumã, no Pará.
Segundo a entidade, o homem utilizou um drone modelo DJI AGRAS T100 para transporte pessoal, o que contraria o Regulamento Brasileiro de Aviação Civil (RBAC 94), que proíbe esse tipo de operação.
Especialista alerta para riscos graves
O sargento do Corpo de Bombeiros e especialista em pilotagem de drones na Segurança Pública em Goiás, Sebastião Júnior, explica que a capacidade de carga do equipamento não garante segurança para transportar pessoas.
De acordo com ele, a presença humana altera significativamente o centro de gravidade e compromete a estabilidade do voo. Entre os riscos apontados estão:
- Quedas por falhas eletrônicas ou perda de sinal
- Contato com hélices de alta rotação, podendo causar amputações ou lesões fatais
- Ausência de proteção adequada para o ocupante
- Projeção de pedras e detritos na decolagem
“Outro risco grande é que, como o drone é adaptado, não há proteção para o piloto. As hélices são grandes e, na decolagem, levantam muita poeira e podem lançar pedras nos olhos do operador”, destacou.
Proibição e penalidades
Drones não certificados são proibidos de transportar pessoas. Além disso, voos sobre multidões sem autorização e sem os dispositivos de segurança exigidos também violam normas vigentes.
As infrações podem resultar em punições administrativas, civis e criminais, conforme a legislação aeronáutica brasileira.