O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse a congressistas nesta segunda-feira (5) que o presidente Donald Trump pretende adquirir a Groenlândia por meio de negociação com a Dinamarca, e não por meio de uma invasão militar. A declaração foi feita durante um briefing fechado com integrantes das comissões de Forças Armadas e de política externa da Câmara e do Senado norte-americanos.
O assunto surgiu no contexto de um encontro cujo foco principal era a situação na Venezuela, mas a possibilidade de Trump obter controle do território autônomo dinamarquês — uma área geopolítica estratégica no Ártico — motivou questionamentos. Rubio não detalhou como uma negociação efetiva seria conduzida, mas afirmou que o objetivo é comprar a ilha por meios diplomáticos, e não invadi-la.
O interesse do presidente Trump na Groenlândia não é novo. Desde seu primeiro mandato, ele tem manifestado repetidamente a vontade de integrar o território ao controle dos Estados Unidos, citando sua importância estratégica frente a potências como Rússia e China.
Reação internacional e oposição dinamarquesa
O governo da Dinamarca, da qual a Groenlândia faz parte, reafirmou que o território “não está à venda” e que qualquer decisão sobre seu futuro deve ser tomada exclusivamente pela Dinamarca e pelo próprio povo groenlandês. Líderes dinamarqueses e groenlandeses solicitaram formalmente reuniões com autoridades norte-americanas para discutir a situação.
Países europeus aliados, incluindo França, Alemanha, Itália, Reino Unido, Espanha e Polônia, também emitiram declarações conjuntas enfatizando que a soberania territorial da Groenlândia deve ser respeitada e que a segurança na região ártica deve ser garantida coletivamente entre aliados, sem violações do direito internacional.
No Congresso dos EUA, a polêmica provocou reação bipartidária. Legisladores afirmaram que os Estados Unidos devem manter o respeito às obrigações com aliados e à soberania de nações parceiras.
Discussões e opções em análise
Embora Rubio tenha destacado a intenção de buscar uma compra negociada, membros da administração norte-americana indicaram que diversas opções estão sendo discutidas, incluindo parcerias diplomáticas, acordos de cooperação e até a possibilidade de uso das Forças Armadas como “último recurso” caso negociações não avancem. Essa postura tem gerado preocupações entre aliados europeus e na própria Otan, já que a Groenlândia está inserida no território de um dos principais aliados dos EUA no bloco.
A Groenlândia tem cerca de 57 mil habitantes e abriga riqueza estratégica e recursos naturais que despertam interesse geopolítico. Autoridades groenlandesas reforçam que qualquer mudança de soberania deve respeitar o direito internacional e a vontade de sua população local.


