As expectativas em torno de uma possível delação premiada do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, aumentaram nos bastidores do Congresso Nacional.
Dois movimentos recentes intensificaram esse cenário: a mudança na equipe jurídica do banqueiro e as tratativas do novo advogado, José Luís Oliveira Lima, com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), além de interlocuções com a Polícia Federal do Brasil. A possibilidade de colaboração premiada esteve entre os temas discutidos.
Paralelamente às investigações conduzidas pela Polícia Federal, Vorcaro também passou a ser alvo de apurações na CPMI do INSS e na CPI do Crime Organizado. Parlamentares com acesso a dados obtidos por meio de quebras de sigilo avaliam que o empresário mantinha influência em diferentes esferas do poder.
De acordo com relatos de integrantes da CPMI, documentos armazenados em uma sala-cofre indicariam a existência de registros considerados sensíveis, incluindo decisões judiciais de interesse do banco que, em tese, estariam sob sigilo.
Outros parlamentares apontam que o empresário teria mantido uma rede ampla de contatos, envolvendo autoridades e membros de instituições públicas. Também teriam sido identificados registros de encontros sociais com figuras públicas.
Na noite de segunda-feira (16), o ministro André Mendonça determinou que a Polícia Federal retirasse os dados relacionados ao empresário da sala-cofre do Senado, diante de suspeitas de vazamento de informações. Já na quarta-feira (18), a PF informou que parte dos dados havia sido reinserida no sistema da Casa.
Nos bastidores do Congresso, o avanço das investigações e a possibilidade de uma eventual delação premiada geram apreensão entre parlamentares, tanto da base governista quanto da oposição, diante do potencial alcance das informações que podem vir a público.