sábado, 4 de abril de 2026

Justiça concede uma medida protetiva a cada 12 minutos para mulheres vítimas de violência em Goiás

Júnior Silva

Júnior Silva

Publicado em: 12/03/26 – 08:53

Justiça concede uma medida protetiva a cada 12 minutos para mulheres vítimas de violência em Goiás

Júnior Silva

Júnior Silva

Publicado em: 12/03/2026
08:53

Crescimento nos pedidos de proteção

O levantamento aponta que o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás concedeu 47.432 medidas protetivas em 2025, o que representa um crescimento de 4,1% em comparação a 2024, quando foram registradas 45.558 decisões desse tipo.

Esse volume significa que, em média, uma nova medida protetiva é autorizada a cada 12 minutos no estado, evidenciando a grande quantidade de mulheres que recorrem à Justiça para garantir segurança diante de situações de violência ou ameaça.

Somente nos primeiros meses de 2026, mais de 3,8 mil medidas protetivas já haviam sido registradas, o que indica que a demanda continua alta.

Goiás entre os estados com mais casos

No cenário nacional, Goiás aparece entre os estados com maior número de mulheres beneficiadas por medidas protetivas. O estado ocupa a sexta posição no ranking nacional, ficando atrás apenas de:

  • São Paulo
  • Paraná
  • Minas Gerais
  • Rio Grande do Sul
  • Rio de Janeiro

Os dados refletem tanto o número elevado de ocorrências quanto o maior acesso das vítimas aos mecanismos de proteção da Justiça.

Quem pode solicitar a medida protetiva

De acordo com o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, qualquer mulher, adolescente ou criança vítima de violência doméstica ou familiar pode solicitar uma medida protetiva.

O pedido pode ser feito por meio de:

  • Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher
  • Ministério Público
  • Defensoria Pública

Após a solicitação, a Justiça costuma analisar e conceder a medida em até 24 horas, dependendo da gravidade do caso.

Outro ponto importante é que não é obrigatório registrar um boletim de ocorrência previamente. Caso a vítima se sinta ameaçada ou em risco, ela pode solicitar a proteção judicial de forma preventiva.

Acompanhamento das vítimas

As mulheres que recebem medidas protetivas passam a ser acompanhadas por programas de segurança, como o Batalhão Maria da Penha, da Polícia Militar.

Segundo a corporação, o número de mulheres monitoradas aumentou significativamente:

  • 211 mil vítimas acompanhadas em 2024
  • 261 mil mulheres em 2025

Esse crescimento representa alta de cerca de 24% no acompanhamento policial.

As equipes realizam visitas periódicas — semanais, quinzenais ou mensais — para verificar se a medida está sendo respeitada e orientar as vítimas sobre apoio jurídico e social.

Entendendo o ciclo da violência

Especialistas explicam que a violência doméstica costuma seguir um ciclo que dificulta a denúncia, composto por três etapas principais:

  1. Tensão: controle, humilhações e isolamento da vítima;
  2. Explosão da violência: agressões físicas, psicológicas, patrimoniais ou sexuais;
  3. “Lua de mel”: agressor pede perdão e promete mudar, levando à reconciliação temporária.

Segundo autoridades de segurança, muitas vítimas de feminicídio nunca haviam denunciado agressões anteriores, o que reforça a importância da denúncia e da busca por proteção judicial.

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