Crescimento nos pedidos de proteção
O levantamento aponta que o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás concedeu 47.432 medidas protetivas em 2025, o que representa um crescimento de 4,1% em comparação a 2024, quando foram registradas 45.558 decisões desse tipo.
Esse volume significa que, em média, uma nova medida protetiva é autorizada a cada 12 minutos no estado, evidenciando a grande quantidade de mulheres que recorrem à Justiça para garantir segurança diante de situações de violência ou ameaça.
Somente nos primeiros meses de 2026, mais de 3,8 mil medidas protetivas já haviam sido registradas, o que indica que a demanda continua alta.
Goiás entre os estados com mais casos
No cenário nacional, Goiás aparece entre os estados com maior número de mulheres beneficiadas por medidas protetivas. O estado ocupa a sexta posição no ranking nacional, ficando atrás apenas de:
- São Paulo
- Paraná
- Minas Gerais
- Rio Grande do Sul
- Rio de Janeiro
Os dados refletem tanto o número elevado de ocorrências quanto o maior acesso das vítimas aos mecanismos de proteção da Justiça.
Quem pode solicitar a medida protetiva
De acordo com o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, qualquer mulher, adolescente ou criança vítima de violência doméstica ou familiar pode solicitar uma medida protetiva.
O pedido pode ser feito por meio de:
- Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher
- Ministério Público
- Defensoria Pública
Após a solicitação, a Justiça costuma analisar e conceder a medida em até 24 horas, dependendo da gravidade do caso.
Outro ponto importante é que não é obrigatório registrar um boletim de ocorrência previamente. Caso a vítima se sinta ameaçada ou em risco, ela pode solicitar a proteção judicial de forma preventiva.
Acompanhamento das vítimas
As mulheres que recebem medidas protetivas passam a ser acompanhadas por programas de segurança, como o Batalhão Maria da Penha, da Polícia Militar.
Segundo a corporação, o número de mulheres monitoradas aumentou significativamente:
- 211 mil vítimas acompanhadas em 2024
- 261 mil mulheres em 2025
Esse crescimento representa alta de cerca de 24% no acompanhamento policial.
As equipes realizam visitas periódicas — semanais, quinzenais ou mensais — para verificar se a medida está sendo respeitada e orientar as vítimas sobre apoio jurídico e social.
Entendendo o ciclo da violência
Especialistas explicam que a violência doméstica costuma seguir um ciclo que dificulta a denúncia, composto por três etapas principais:
- Tensão: controle, humilhações e isolamento da vítima;
- Explosão da violência: agressões físicas, psicológicas, patrimoniais ou sexuais;
- “Lua de mel”: agressor pede perdão e promete mudar, levando à reconciliação temporária.
Segundo autoridades de segurança, muitas vítimas de feminicídio nunca haviam denunciado agressões anteriores, o que reforça a importância da denúncia e da busca por proteção judicial.