Goiás se tornou o novo epicentro de uma disputa geopolítica que envolve as maiores potências econômicas do planeta. Estados Unidos, União Europeia e China voltaram seus interesses para as jazidas de terras raras localizadas no estado, minerais estratégicos essenciais para a produção de smartphones, veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos militares.
O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, atrás apenas da China, e uma parcela significativa desses recursos está em território goiano. O cenário transforma o estado em peça-chave na reorganização da cadeia global de suprimentos desses minerais, considerados críticos para a transição energética e para a segurança nacional das grandes potências.
Atualmente, a China controla cerca de 70% da produção global de terras raras e domina praticamente toda a cadeia de refino, o que gera preocupação crescente no Ocidente. Diante desse cenário, Estados Unidos e União Europeia intensificaram esforços para reduzir a dependência chinesa e diversificar suas fontes de abastecimento.
No mês passado, durante visita ao Rio de Janeiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou o início de negociações para acordos de investimento conjunto em matérias-primas críticas com o Brasil. A iniciativa faz parte de uma estratégia europeia para garantir acesso a minerais essenciais e fortalecer parcerias com países considerados estratégicos.
Os Estados Unidos, por sua vez, adotam uma postura mais direta nos bastidores. Fontes do setor revelam que representantes norte-americanos deixaram claro, em conversas reservadas com autoridades e empresários brasileiros, o interesse em assegurar acesso a depósitos de terras raras ainda não explorados, incluindo jazidas localizadas em Goiás.
Nesse contexto, o governador Ronaldo Caiado esteve recentemente nos Estados Unidos, onde discutiu oportunidades relacionadas a minerais críticos. A movimentação reforça o papel central do estado na agenda internacional e evidencia como recursos naturais passaram a ser elementos decisivos na nova geopolítica global.
