Ofício enviado pelo decano do STF critica a rapidez da votação que manteve o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou um ofício ao ministro Luiz Fux questionando a condução do julgamento que confirmou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
O documento foi encaminhado na última sexta-feira (11), mas seu conteúdo se tornou público nesta quinta-feira (17), ampliando a repercussão da crise institucional que envolve integrantes da Corte.
No ofício, Gilmar manifesta preocupação com a forma como ocorreu a votação na Segunda Turma do STF e critica a rapidez com que alguns ministros acompanharam o voto do relator do caso, André Mendonça.
Críticas à velocidade da votação
Segundo o documento, Gilmar Mendes questiona o curto intervalo entre a disponibilização do voto do relator e a manifestação dos demais integrantes do colegiado.
O ministro cita especificamente os votos de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques, que acompanharam o entendimento de André Mendonça.
Com os votos dos três magistrados, formou-se maioria na Segunda Turma para confirmar o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal.
Gilmar argumenta que a relevância institucional do tema exigiria uma análise mais aprofundada e questiona se houve tempo suficiente para o exame completo dos autos antes da formação da maioria.
Julgamento ampliou tensão no STF
O episódio ocorre em meio ao ambiente de forte tensão entre ministros do Supremo, intensificado pelos desdobramentos das investigações relacionadas ao Banco Master e pelos recentes confrontos públicos registrados durante sessões da Corte.
Nos últimos dias, ministros trocaram críticas em plenário e também nos bastidores, evidenciando divisões internas sobre a condução de processos considerados sensíveis.
A decisão envolvendo Andrei Rodrigues passou a ser vista como mais um elemento desse cenário de divergências entre integrantes do tribunal.
Afastamento foi confirmado pela Segunda Turma
A medida foi mantida após o voto do relator, André Mendonça, ser acompanhado por Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.
Com a maioria formada, a Segunda Turma confirmou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal.
Até o momento, Luiz Fux não se manifestou publicamente sobre os questionamentos apresentados por Gilmar Mendes no ofício.
O caso segue repercutindo nos bastidores de Brasília e reforça o momento de instabilidade institucional vivido pelo STF.
