Discussão ocorreu durante julgamento que analisava procedimentos relacionados a Alexandre de Moraes e ao caso Banco Master
O ministro Gilmar Mendes e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), protagonizaram um dos momentos mais tensos da sessão realizada nesta terça-feira (15), durante a discussão dos procedimentos relacionados ao ministro Alexandre de Moraes e ao caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
A sessão, que durou quase oito horas, foi marcada por divergências entre os ministros e terminou sem decisão sobre o mérito da eventual investigação envolvendo Moraes. O único ponto efetivamente submetido à votação foi a possibilidade de reunir os casos de Moraes e Mendonça.
Bate-boca durante a sessão
O confronto entre Gilmar Mendes e André Mendonça ocorreu enquanto Mendonça comentava o posicionamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Gilmar interrompeu o colega e criticou sua manifestação. Em determinado momento, afirmou que considerava “leviano” o posicionamento de Mendonça e fez referência a uma suposta postura “policialesca”.
Mendonça reagiu e pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, que pudesse concluir sua fala. Segundo os registros da sessão, Gilmar voltou a interrompê-lo e afirmou considerar uma “desfaçatez” a postura do colega.
Mendonça respondeu de forma exaltada, dizendo que Gilmar deveria respeitá-lo. Na sequência, Gilmar respondeu: “Pode chorar”. A discussão foi registrada durante a transmissão da sessão e repercutiu amplamente.
Sessão marcada por divergências
O episódio ocorreu em meio a uma série de confrontos entre integrantes do STF. Durante a sessão, também houve um embate entre Alexandre de Moraes e André Mendonça.
Moraes acusou Mendonça de ter pressionado a Polícia Federal para incluí-lo em uma eventual colaboração premiada de Daniel Vorcaro. Mendonça negou a acusação e afirmou que a declaração era falsa.
A discussão sobre a reunião dos processos também dividiu os ministros. O placar provisório ficou em 4 a 3 pela tramitação separada dos casos. Votaram pela separação Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia. Pela reunião, votaram Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes.
O ministro Flávio Dino pediu vista, interrompendo o julgamento. O pedido pode suspender a análise por até 90 dias.
Debate expõe tensão dentro da Corte
A sessão evidenciou divergências públicas entre ministros sobre a condução dos procedimentos relacionados ao caso Banco Master e às mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro.
A ministra Cármen Lúcia chegou a pedir desculpas, ao final dos trabalhos, pelo nível de tensão e pelos episódios ocorridos durante a sessão.
Com o pedido de vista de Flávio Dino, o STF encerrou a sessão sem concluir a análise sobre a eventual investigação de Alexandre de Moraes.
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