quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Fogo Cruzado e Gafes: Lula erra alvo e culpa Flávio Bolsonaro por indicação de Alexandre de Moraes ao STF; senador não votou nomeação

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Júnior Silva

Publicado em: 17/09/26 – 09:27

Fogo Cruzado e Gafes: Lula erra alvo e culpa Flávio Bolsonaro por indicação de Alexandre de Moraes ao STF; senador não votou nomeação

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Publicado em: 17/09/2026
09:27

A polarização entre o petismo e o bolsonarismo continua a ditar o ritmo da corrida eleitoral de 2026, mas, por vezes, a artilharia pesada das campanhas acaba tropeçando nos fatos históricos. Em mais um episódio da troca de acusações entre os principais candidatos ao Palácio do Planalto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou jogar a conta da nomeação do ministro Alexandre de Moraes — alvo frequente de críticas da direita e bolsonaristas — no colo de seu rival, o senador Flávio Bolsonaro. O problema é que, de acordo com os registros oficiais do Congresso Nacional, a acusação simplesmente não procede.

A estocada de Lula na TV

O deslize de Lula ocorreu na manhã de terça-feira, 15 de setembro, durante uma entrevista de repercussão nacional em rede televisiva e de rádio. O candidato petista, buscando evidenciar as contradições do campo conservador e fustigar o discurso de seu principal opositor, disparou contra Flávio Bolsonaro: “Todo o embate que eles fazem agora é hipocrisia e teatro. A direita vive reclamando do Alexandre de Moraes, o ‘Xandão’, mas quem colocou o Moraes lá no STF foi o governo que eles apoiaram. E mais, o senador Flávio Bolsonaro, que hoje xinga o ministro, votou tranquilamente e aprovou o nome dele no Senado Federal”.

A fala de Lula foi calculada para enfraquecer o discurso antissistema da família Bolsonaro e colar a imagem de Flávio às decisões mais polêmicas do STF, expondo um suposto oportunismo político.

O tropeço histórico e a ausência do voto

Contudo, a declaração do petista chocou-se frontalmente com a realidade documental. Horas após a entrevista, a equipe de checagem de fatos do Poder360 e os arquivos públicos do Senado Federal esvaziaram completamente a principal premissa de Lula.

Alexandre de Moraes foi, de fato, indicado ao Supremo Tribunal Federal pelo então presidente Michel Temer, em 2017, durante um período de forte aproximação do grupo político da família Bolsonaro ao governo de transição. No entanto, a sabatina e a aprovação de Moraes pelo plenário do Senado Federal ocorreram em 22 de fevereiro de 2017. Naquela data, Flávio Bolsonaro não era senador da República; ele ocupava o cargo de deputado estadual pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Sua estreia no Senado Federal só aconteceria em 2019, dois anos após a chancela de Moraes ao STF.

Flávio reage e capitaliza o erro

A equipe de comunicação de Flávio Bolsonaro não perdeu tempo e capitalizou a gafe do adversário. Através das redes sociais, o candidato publicou um vídeo desmentindo Lula, chamando a declaração de “amnésia conveniente” ou “mentira descarada” da campanha petista.

O senador ainda aproveitou a deixa para reafirmar suas críticas à atuação do Judiciário e de Moraes, garantindo que “seu grupo político é o único que defende a liberdade contra o avanço institucional do Supremo”.

O episódio evidencia como, na corrida para o pleito de outubro, a ânsia de desgastar os opositores leva a narrativas fáceis, mas facilmente desmontáveis quando confrontadas com os diários do Congresso. A gafe deve forçar a campanha petista a reajustar seu discurso de ataque nas próximas semanas, garantindo maior embasamento antes de acionar a metralhadora giratória.

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