Documentos financeiros obtidos pela coluna de Paulo Cappelli revelam que o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e ex-sócio do Banco Master, realizou um aporte de R$ 75,3 milhões em um único dia em um fundo de investimento estruturado.
A movimentação ocorreu em 17 de setembro de 2019, quando Lima investiu o valor no fundo 918 FI MM CP, um veículo de investimento restrito gerido pela WNT Gestora.
O caso ganhou relevância após o empresário se tornar um dos principais alvos da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que investiga um suposto esquema de fraudes bilionárias e pagamento de propinas.
Segundo as investigações, o fundo administrado pela WNT Gestora estaria no radar das autoridades por sua proximidade com o grupo de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Suspeita de ocultação de patrimônio
Investigadores da Polícia Federal e do Ministério Público Federal suspeitam que fundos exclusivos como o utilizado por Lima possam ter sido empregados para ocultação de patrimônio e para o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos e parceiros comerciais.
A suspeita ganhou força porque três meses após o aporte, em dezembro de 2019, o empresário realizou uma série de retiradas classificadas como “Resgate Doação”, totalizando quase R$ 60 milhões.
Para órgãos de controle como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, movimentações vultosas classificadas como doação sem identificação clara dos beneficiários são consideradas sinais de alerta para possíveis operações de lavagem de dinheiro.
Expansão do Banco Master
Na época da movimentação financeira, Augusto Lima liderava a integração do Credcesta, cartão de benefício voltado a servidores públicos, ao Banco Master.
O produto acabou se tornando um dos motores de crescimento da instituição. No entanto, as investigações apontam que parte dessa expansão pode ter sido sustentada por ativos inexistentes e fraudes em carteiras de crédito comercializadas para outras instituições financeiras, como o Banco de Brasília.
A Operação Compliance Zero segue em andamento e busca esclarecer o destino dos recursos movimentados e a eventual participação de empresários e agentes públicos no esquema investigado.