Um novo estudo sobre a exposição de municípios brasileiros a desastres naturais revelou que 24 cidades de Goiás estão em áreas consideradas vulneráveis a eventos como deslizamentos, enxurradas e inundações, especialmente durante o período chuvoso, quando as chuvas intensas podem desencadear ocorrências de grande impacto.
Realizado sob coordenação da Casa Civil da Presidência da República em parceria com o Ministério das Cidades, o levantamento integra um diagnóstico nacional que mapeou 1.942 municípios de todo o país com suscetibilidade a eventos geo-hidrológicos, ressaltando a necessidade de políticas públicas de prevenção e resposta a desastres.
Entre os municípios goianos com maior número de áreas de risco estão Goiânia, Aparecida de Goiânia e Anápolis, que aparecem no grupo classificado com risco “triplo” — ou seja, sujeitos simultaneamente a deslizamentos, enxurradas e inundações. Na capital, por exemplo, o estudo identificou mais de 4.200 áreas vulneráveis, um reflexo tanto da extensão urbana quanto da topografia e de falhas nos sistemas de drenagem.
Outras cidades listadas no levantamento, em diferentes combinações de risco, incluem Senador Canedo, Luziânia, Planaltina, Itumbiara, Formosa, Caldas Novas, Novo Gama, Uruaçu, Goiatuba, Alexânia, Goiás, Cavalcante, Petrolina de Goiás, São Domingos, Alvorada do Norte, Simolândia, Aporé, Guarani de Goiás, Baliza, Israelândia e Lagoa Santa. Em muitas delas, a geografia e a ocupação urbana próxima a encostas, várzeas e córregos agravaram os pontos de fragilidade.
Especialistas e gestores públicos destacam que o crescimento urbano desordenado, a impermeabilização do solo e deficiências nos sistemas de drenagem contribuíram para ampliar a exposição a desastres, transformando áreas que antes enfrentavam apenas chuva forte em locais propensos a enchentes e escorregamentos. Eles também ressaltam que as mudanças climáticas podem estar intensificando a frequência e a intensidade dos eventos extremos, o que exige respostas mais estruturadas e coordenadas entre níveis de governo.
O estudo ressalta ainda que a classificação como área de risco não significa que toda a cidade está ameaçada, mas indica a presença de pontos específicos dentro do perímetro urbano ou rural onde moradores e infraestrutura local ficam mais expostos durante episódios de chuva forte e prolongada. Autoridades municipais e estaduais têm sido orientadas a utilizar esses dados para plano de ação preventivo, reforçando sistemas de alerta, políticas de ordenamento territorial e obras de mitigação onde necessário.
Esse diagnóstico também chega em um momento em que os órgãos de meteorologia têm emitido alertas frequentes de tempestades e chuvas intensas para dezenas de municípios goianos, reforçando a importância de preparação e mobilização de equipes de resposta rápida em toda a região


