Caracas, Venezuela — Em meio a uma crise política e social sem precedentes, manifestações em defesa do ex-presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, ganharam força nas ruas de Caracas nesta semana. A dupla, destituída e capturada por forças dos Estados Unidos em 3 de janeiro, tem visto um apoio expressivo de parte da população e de movimentos sociais que clamam por sua libertação e retorno ao poder.
Apenas nesta quarta-feira (21), cartazes, murais e outdoors pichados em diferentes bairros da capital venezuelana exibiam mensagens emotivas como “Los queremos de vuelta” (“Nós os queremos de volta”) e “Libertem Maduro e Cilia”. Os slogans refletem o sentimento de setores populares que veem no casal não apenas figuras políticas, mas líderes simbólicos de uma revolução bolivariana ameaçada por uma intervenção estrangeira.
Protestos persistentes
Desde o início de janeiro, apoiadores do chavismo vêm organizando protestos diários em Caracas e outras cidades. Marchas e marcha de agricultores e movimentos sociais exigem a liberação de Maduro e Flores, que estão detidos em Nova York, onde enfrentam acusações criminais nos Estados Unidos.
Imagens de atos em Caracas mostram multidões marchando com bandeiras, faixas e retratos do casal, gritando palavras de ordem contra o que chamam de “sequestro” e intervenção estrangeira. Organizações chavistas e líderes comunitários têm enfatizado que a mobilização popular é uma resposta legítima à crise, tendo em vista que, para muitos, a operação militar americana que resultou na captura — incluindo bombardeios e confrontos — deixou marcas profundas na população local.
Contexto da captura e repercussão internacional
A captura de Maduro e Cilia Flores ocorreu em 3 de janeiro durante uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos em solo venezuelano, que também resultou em confrontos armados e na morte de dezenas de militares venezuelanos e cubanos, de acordo com autoridades locais.
Levados ao território americano, o casal compareceu a audiências em uma corte federal em Manhattan, onde ambos se declararam “não culpados” das acusações de narcotráfico e outros crimes que pesam contra eles, e Maduro insistiu a juízes que se considera “ainda presidente” da Venezuela.
A operação e o subsequente processo judicial geraram reações em diferentes países da região — desde protestos em Cuba em solidariedade ao casal até declarações diplomáticas e manifestações em capitais latino-americanas — evidenciando o impacto geopolítico da crise.
Polarização e tensão social
Analistas políticos observam que, embora parte significativa da população apoie a ação americana por acreditar que Maduro e seu entorno representam corrupção e deterioração institucional, outro grupo considera a intervenção como uma violação da soberania venezuelana. Em Caracas, a divisão está patente: de um lado, ruas ocupadas por defensores de Maduro; de outro, cidadãos que evitam manifestações por medo de repressão ou aprofundamento da tensão social.
Enquanto isso, a liderança chavista promete continuar as mobilizações e ampliar a pressão popular por meio de sindicatos, grupos comunitários e entidades estudantis, insistindo na narrativa de que Maduro e Flores foram injustamente retirados de seus cargos e detidos ilegalmente.