A confirmação da existência de petróleo na região da Foz do Amazonas pela Petrobras reacendeu o debate sobre a exploração da chamada Margem Equatorial e fortaleceu politicamente o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), um dos principais defensores da realização dos estudos na área.
Nos bastidores de Brasília, a influência do parlamentar ganhou ainda mais destaque após a descoberta. Durante a cerimônia de posse do novo presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Luis Felipe Salomão, Alcolumbre chegou a ser chamado de “sheik” por autoridades presentes, em referência ao potencial econômico que a exploração petrolífera poderá representar para o Amapá.
A autorização para os estudos foi resultado de uma longa disputa dentro do governo federal. De um lado, a Petrobras defendia a necessidade de avaliar o potencial das reservas existentes na região. Do outro, a então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e entidades ambientalistas alertavam para os riscos ambientais da exploração em uma área considerada de elevada sensibilidade ecológica.
O potencial econômico da Margem Equatorial tem sido apontado por entidades do setor produtivo como um dos principais argumentos favoráveis ao projeto. Estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que a atividade pode elevar o Produto Interno Bruto (PIB) do Amapá em mais de 60% e gerar cerca de 54 mil empregos diretos e indiretos.
Além dos impactos econômicos, a eventual produção de petróleo poderá aumentar significativamente a arrecadação dos municípios amapaenses por meio dos royalties da exploração. O tema tem forte peso político, já que grande parte desses recursos poderá beneficiar administrações municipais ligadas a grupos aliados ao senador.
No cenário nacional, Alcolumbre também ampliou sua capacidade de articulação política. Com trânsito entre diferentes correntes ideológicas, o senador mantém diálogo tanto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto com lideranças da oposição, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL). Essa posição fortalece sua influência nas negociações em torno do comando do Congresso Nacional para os próximos anos.
Após um período de distanciamento político, Lula e Alcolumbre retomaram o diálogo recentemente. A reaproximação ocorreu após divergências relacionadas à indicação para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), episódio que gerou atritos entre o Palácio do Planalto e o presidente do Congresso.
Com a perspectiva de exploração das reservas da Margem Equatorial e a manutenção de sua influência política em Brasília, Davi Alcolumbre surge como um dos personagens centrais das discussões sobre o futuro energético e econômico da região Norte do país.

