A chamada CPI do Crime Organizado gerou forte repercussão política ao propor o indiciamento — que poderia levar a pedidos de impeachment — de ministros do Supremo Tribunal Federal. No entanto, o relatório final foi rejeitado e a comissão encerrou os trabalhos sem aprovação de um parecer oficial.
O documento, elaborado pelo senador Alessandro Vieira, apontava supostos crimes de responsabilidade contra os ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Entre as acusações citadas no relatório estavam condutas consideradas incompatíveis com o cargo, como suposta parcialidade em julgamentos e decisões que, na visão do relator, teriam prejudicado investigações ligadas ao crime organizado.
Apesar da gravidade das acusações, o texto foi rejeitado por 6 votos a 4 dentro da comissão, impedindo o avanço formal das medidas propostas. Com isso, a CPI foi encerrada sem um relatório final aprovado.
Reações e críticas
A proposta gerou forte reação no meio jurídico e político. O ministro Gilmar Mendes afirmou que não há base legal para que uma CPI indicie ministros do STF, destacando que esse tipo de responsabilização segue regras específicas previstas na legislação brasileira.
Além disso, parlamentares da base governista criticaram o foco do relatório, alegando que a CPI deixou de priorizar o combate direto às organizações criminosas para concentrar esforços em disputas institucionais.
Contexto da CPI
Instalada em 2025, a comissão tinha como objetivo investigar a atuação de facções criminosas, lavagem de dinheiro e a infiltração do crime organizado em setores públicos e privados. Ao longo dos trabalhos, porém, o foco acabou se ampliando para decisões judiciais e casos envolvendo o sistema financeiro, como o escândalo do Banco Master.