O Brasil voltou ao radar de possíveis tarifas comerciais anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O país está entre 59 nações alvo de uma investigação comercial aberta por Washington, medida que pode resultar em novas taxas sobre produtos estrangeiros.
A tensão diplomática entre Brasília e Washington também aumentou após a decisão do Ministério das Relações Exteriores de revogar o visto do diplomata americano Darren Beattie.
Beattie, assessor sênior do Departamento de Estado dos Estados Unidos, teve o visto cancelado sob a justificativa de “omissão e falseamento de informações relevantes quanto ao motivo da visita”. Segundo informações, ele pretendia viajar ao Brasil para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão e se reunir com lideranças da direita.
Investigação comercial dos EUA
Analistas avaliam que o episódio acrescenta um novo elemento de tensão ao procedimento aberto pela United States Trade Representative para investigar práticas consideradas desleais no comércio internacional.
A investigação foi aberta com base no Artigo 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado por Washington para apurar práticas comerciais que possam prejudicar empresas americanas. Desta vez, o foco inclui suspeitas de trabalho forçado ou condições análogas à escravidão em cadeias produtivas de países investigados.
No ano passado, Trump já havia adotado uma política de tarifas amplas utilizando a International Emergency Economic Powers Act, que permite medidas econômicas em situações consideradas emergenciais. A legislação foi usada para justificar o chamado “tarifaço” contra diversos países.
Avaliação de especialistas
Ao analisar o cenário, o embaixador Rubens Barbosa afirma que a nova investigação pode representar uma estratégia dos Estados Unidos para contornar a suspensão de parte das tarifas pela Suprema Corte americana.
Segundo ele, a tendência é que as tarifas sejam restabelecidas para os países investigados.
“Talvez não nos mesmos valores anunciados no ano passado, mas elas devem ser retomadas”, avaliou o diplomata.
Para João Alfredo Nyegray, especialista em negócios internacionais, o movimento sinaliza uma mudança na forma como os Estados Unidos encaram a concorrência global.
De acordo com o professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Washington busca ampliar o conceito de concorrência desleal, passando a incluir falhas regulatórias nas cadeias produtivas internacionais.