O Ministério da Saúde da Argentina registrou 42 casos de hantavírus em 2026 e 101 desde o início da atual temporada epidemiológica, que vai de junho a junho. O número representa quase o dobro dos 57 casos contabilizados no mesmo período do ciclo anterior.
Segundo as autoridades argentinas, 32 dos 101 casos registrados na temporada 2025-2026 resultaram em mortes, o que representa uma taxa de letalidade de 31,7%.
O aumento ocorre em meio à investigação de um possível surto a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, que partiu de Ushuaia em 1º de abril. Até o momento, foram confirmadas três mortes e seis casos suspeitos entre passageiros e tripulantes.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) admite que as infecções possam ter ocorrido antes do embarque. A diretora de Prevenção e Preparação para Epidemias da entidade, Maria Van Kerkhove, afirmou que o período de incubação do vírus, que varia entre uma e seis semanas, reforça a hipótese de exposição em terra, possivelmente durante a passagem dos passageiros por Ushuaia.
A região da Terra do Fogo não registrava casos desde 1996, enquanto a província vizinha de Santa Cruz está há sete anos sem ocorrências da doença.
Na América do Sul, uma das variantes mais preocupantes do hantavírus é a chamada variante andina, associada à Cordilheira dos Andes. Diferentemente de outras cepas, ela pode ser transmitida entre humanos em situações específicas.
Essa possibilidade foi demonstrada durante o surto ocorrido em Epuyén, em 2018, quando um trabalhador rural infectou mais de 50 pessoas durante uma festa de aniversário, causando 15 mortes.
As autoridades sanitárias realizam agora a sequenciação genética do vírus encontrado no cruzeiro para identificar qual variante está envolvida e determinar se houve transmissão entre passageiros ou se todos foram expostos à mesma fonte antes do embarque.