O cenário de repouso eterno do Cemitério Parque, em Goiânia, tornou-se o palco de um crime brutal que chocou a capital goiana no último fim de semana. A Polícia Militar de Goiás (PMGO) efetuou, nesta segunda-feira (28 de setembro), a prisão preventiva de um entregador de aplicativo de 24 anos, apontado como o principal suspeito do homicídio do jovem Jefferson Gomes Venâncio, de 27 anos. O corpo da vítima foi descoberto no sábado (26) por um coveiro que realizava a ronda matinal pelas alamedas do cemitério.
A cena do crime e a causa da morte
O quadro encontrado pelas autoridades revelou a violência empregada no assassinato. De acordo com os laudos preliminares da Polícia Científica, Jefferson não resistiu a um esgorjamento — uma lesão profunda na face anterior ou lateral do pescoço provocada por um instrumento cortante. Além do ferimento fatal, o corpo apresentava diversas perfurações.
A área foi imediatamente isolada para o trabalho pericial. Próximo ao cadáver, os agentes recolheram uma mochila com pertences pessoais da vítima e a provável arma do crime: uma faca com vestígios de sangue. As evidências materiais foram fundamentais para que as forças de segurança iniciassem as buscas e o cruzamento de dados na região.
A prisão e a versão do suspeito
A captura do entregador ocorreu após o sistema de inteligência da polícia analisar imagens de câmeras de segurança instaladas nos arredores do cemitério. Os registros flagraram o veículo do suspeito nas proximidades no horário presumido do crime. A prisão foi efetuada na residência do indivíduo, localizada no setor Balneário Meia Ponte.
Ao ser interrogado, o entregador confessou a autoria do homicídio, mas apresentou uma versão de legítima defesa. Segundo o tenente do Grupamento de Intervenção Rápida Ostensiva (Giro), o suspeito alegou ter sido abordado e atacado pela vítima — a quem descreveu como um “usuário de drogas”. O entregador sustentou que conseguiu desarmar Jefferson, tomando-lhe a faca, e que desferiu os golpes para evitar ser ferido.
Incoerências e o avanço das investigações
A justificativa apresentada pelo autor confesso, no entanto, é vista com ceticismo pelas autoridades policiais, que consideraram o relato pouco coerente com a dinâmica brutal da cena do crime. O inquérito foi transferido para a Polícia Civil, que tem o prazo de dez dias para concluir as diligências e remeter o caso à Justiça.
Um dos pontos centrais da investigação será determinar a motivação exata do encontro entre os dois homens no interior do cemitério e refutar ou confirmar teses secundárias, como a ligação com o tráfico local ou motivações de cunho religioso, embora a defesa preliminarmente negue o envolvimento de rituais.
A vítima, natural da cidade de Anápolis, possuía antecedentes criminais por roubo e havia deixado o sistema prisional em fevereiro de 2026. Durante a audiência de custódia realizada nesta terça-feira (29), o juiz responsável pelo caso destacou a gravidade das lesões infligidas à vítima e converteu a prisão em flagrante do entregador em prisão preventiva, garantindo que ele aguarde o desenrolar das investigações encarcerado.

