Um clima de apreensão tomou conta de parte da cidade de Anápolis, a cerca de 55 km de Goiânia, nesta quinta-feira (18). Autoridades de segurança pública e defesa civil precisaram isolar o perímetro de um ferro-velho localizado no município após a descoberta de aparelhos de raio-x descartados irregularmente no local. A presença de equipamentos médicos de imagem em locais inadequados aciona imediatamente protocolos rigorosos de segurança devido ao potencial risco à saúde pública.

O episódio rapidamente atraiu a atenção de moradores e reacendeu a memória coletiva de Goiás em relação ao descarte de equipamentos radiológicos, exigindo uma resposta rápida e coordenada do Estado.

Isolamento imediato e protocolos de segurança

A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros foram os primeiros a chegar ao local após receberem a denúncia sobre a presença do maquinário hospitalar no pátio de sucatas. Seguindo o protocolo padrão para ocorrências envolvendo materiais potencialmente perigosos, as equipes determinaram a evacuação imediata dos trabalhadores do ferro-velho e isolaram a rua e as imediações.

O isolamento é uma medida de precaução obrigatória. Embora aparelhos de raio-x convencionais — diferentemente de equipamentos de radioterapia que contêm cápsulas de material radioativo, como o Césio-137 — geralmente só emitam radiação quando estão conectados à rede elétrica e ativados, a confirmação técnica é indispensável para garantir a total segurança da população do entorno.

Acionamento de especialistas e medição radiológica

Para atestar a segurança da área, equipes especializadas em produtos perigosos do Corpo de Bombeiros, além de técnicos da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e da Vigilância Sanitária estadual, foram acionados para realizar a perícia.

Os especialistas utilizam medidores de radiação (detectores Geiger-Müller) para varrer todo o maquinário e o solo do ferro-velho. O objetivo da inspeção é duplo:

  • Descartar contaminação: Confirmar a ausência de qualquer fonte radioativa ativa ou vazamento no local.
  • Identificação técnica: Avaliar o estado das ampolas de raio-x e de fluidos internos de refrigeração que também podem ser tóxicos ao meio ambiente.

Investigação sobre a origem do descarte criminoso

Paralelamente ao trabalho de contenção e análise de risco, a Polícia Civil de Goiás já iniciou as investigações para descobrir como equipamentos de uso restrito hospitalar foram parar em um centro de reciclagem de sucatas. O descarte irregular de lixo hospitalar e maquinário radiológico configura crime ambiental e infração sanitária grave.

Os investigadores buscarão placas de patrimônio, números de série ou registros de manutenção nos chassis dos aparelhos para rastrear a clínica, hospital ou empresa responsável por possuir os itens. Os proprietários da instituição de saúde que negligenciaram o descarte correto poderão responder criminalmente, assim como os donos do ferro-velho caso fique comprovada a receptação de material furtado ou a aceitação consciente de lixo perigoso.

A área permanecerá interditada até a emissão do laudo técnico oficial e a remoção segura do maquinário para um depósito adequado.

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