A Justiça da Bolívia anulou na última sexta-feira (29) dois mandados de prisão emitidos contra líderes sindicais acusados de comandar manifestações contra o presidente boliviano, Rodrigo Paz. A decisão ocorre em meio ao agravamento da crise econômica e social que atinge o país.
A Bolívia enfrenta atualmente dificuldades relacionadas ao abastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos, cenário que tem impulsionado protestos em diversas regiões. Manifestantes cobram medidas do governo e pedem a renúncia do presidente, que assumiu o cargo há cerca de seis meses.
Segundo a Administração Rodoviária Boliviana, aproximadamente 70 bloqueios foram registrados em rodovias do país na sexta-feira, número superior ao observado no início da semana. As interrupções têm causado impactos no transporte de mercadorias e contribuído para problemas de abastecimento.
Diante da escalada da crise, o presidente Rodrigo Paz voltou a convocar representantes de sindicatos de trabalhadores e organizações camponesas para uma mesa de negociação. Em declaração recente, o chefe do Executivo afirmou que pretende buscar uma solução por meio do diálogo, mas alertou para a possibilidade de aplicação da lei em caso de impasse.
O vice-presidente Edmand Lara, que rompeu politicamente com Paz e passou a fazer oposição ao governo, também tentou intermediar negociações com lideranças sindicais, mas ainda não obteve avanços significativos.
Rodrigo Paz, integrante do Partido Democrata Cristão (PDC), foi eleito em outubro de 2025. Sua vitória encerrou duas décadas de predominância do Movimento ao Socialismo (MAS) no comando do país. Desde a posse, em novembro do ano passado, o governo enfrenta desafios econômicos e políticos que se intensificaram nos últimos meses.
Com o agravamento da situação, o governo boliviano buscou apoio internacional. O Brasil confirmou o envio de ajuda humanitária para auxiliar a população afetada pelos bloqueios e pela escassez de produtos essenciais.
As autoridades bolivianas seguem monitorando os protestos e buscando alternativas para restabelecer o abastecimento e reduzir as tensões sociais no país.
Matéria em atualização.