O desafio nas redes e a alfinetada sobre a censura
No vídeo que circula na internet, Flávio adotou um tom de ironia ao cobrar o apoio das bancadas governistas para a abertura das investigações legislativas. “Tô até agora esperando os parlamentares de esquerda levantarem a mão para apoiar a CPMI do Master… será que demora?”, questionou o senador.
Na mesma publicação, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro buscou estimular o engajamento de seus apoiadores fazendo uma referência crítica às políticas do atual Governo Federal sobre o ambiente digital. “E você, também apoia a CPMI do Master? Responda aqui nos comentários, enquanto o decreto de censura do Lula ainda não entrou em vigor”, disparou, utilizando a pauta da liberdade de expressão como munição retórica contra o Executivo.
O pano de fundo: Áudios vazados e o filme “Dark Horse”
A postura agressiva e pública do senador é vista nos bastidores de Brasília como uma clara estratégia de contra-ataque. Nas últimas semanas, Flávio Bolsonaro viu seu nome ser arrastado para o centro da tempestade após o vazamento de um áudio em que ele chama Vorcaro de “irmão” e cobra agilidade no repasse de cifras milionárias para patrocinar o filme “Dark Horse”, uma obra audiovisual privada que conta a trajetória de Jair Bolsonaro.
Para afastar as suspeitas de lavagem de capitais ou favorecimento ilícito — teses levantadas por parlamentares governistas —, Flávio assinou todos os requerimentos de abertura da CPMI. Em discurso inflamado no plenário, ele exigiu que Daniel Vorcaro e seu ex-sócio sejam convocados para detalhar não apenas o patrocínio privado do filme, mas, principalmente, para expor qual seria o nível de intimidade e os negócios dos banqueiros com a cúpula do atual governo e do Judiciário.
A reação governista e a “trava” do Senado
A cobrança de Flávio gerou reações imediatas e subiu a temperatura no plenário. Lideranças petistas e da base aliada rebateram as acusações de omissão, afirmando que a esquerda já possui assinaturas em requerimentos paralelos de investigação e exigindo que a família Bolsonaro explique a gestão dos fundos associados ao cinema, firmados quando o banco já estava na mira das autoridades.
Apesar da escalada dos ataques e da existência de múltiplos requerimentos com o número suficiente de assinaturas, a CPMI esbarra no comando do Legislativo. Como a presidência do Congresso Nacional barrou a leitura dos pedidos no plenário, as investigações oficiais permanecem congeladas. O bloqueio forçou as lideranças de ambos os lados a migrarem o tribunal político para as redes sociais, onde a disputa narrativa tenta ditar quem sairá mais desgastado do escândalo que promete sacudir a República em 2026.