O cerco dos requerimentos e o “superpoder” da Mesa
Atualmente, existem pelo menos cinco pedidos formais e articulados de frentes parlamentares que exigem a abertura imediata da CPMI. O avanço da Operação Compliance Zero pela Polícia Federal — que na última semana prendeu Henrique Vorcaro, pai de Daniel — acendeu o sinal de alerta no Parlamento, que busca exercer seu papel de fiscalização sobre as supostas fraudes bilionárias e o uso de milícias corporativas para intimidar agentes públicos.
Contudo, Alcolumbre foi categórico ao rejeitar as investidas das bancadas. Ao negar a palavra aos parlamentares que tentavam ler os documentos, o presidente do Congresso afirmou que a decisão de submeter os requerimentos ao plenário cabe de forma isolada e exclusiva à presidência da Casa. Na prática, a decisão congela o início de qualquer investigação do Poder Legislativo sobre o caso, deixando o tema sob o controle político do comando do Senado.
Tensão no plenário e a disputa pelo Orçamento de 2026
O pano de fundo do embate foi a acalorada votação dos vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. Parlamentares favoráveis à investigação acusaram a cúpula do Congresso de utilizar a pauta econômica como cortina de fumaça para blindar figuras influentes do mercado financeiro e do próprio meio político que estariam citadas nos relatórios de inteligência da Polícia Federal.
A estratégia de Alcolumbre de centralizar a decisão visa, segundo analistas de bastidores, evitar que o Congresso se transforme em um palco de denúncias descontroladas em um ano orçamentário sensível. A instauração de uma CPMI mista (composta por deputados e senadores) tem o poder de quebrar sigilos bancários e telefônicos, o que gera profundo desconforto nos corredores de Brasília devido ao trânsito que o ex-controlador do Banco Master possuía nas altas esferas do poder.
O futuro das investigações e o impacto político
Com a barreira imposta por Davi Alcolumbre, os pedidos de CPMI entram em uma espécie de limbo político. Sem a leitura em plenário, as comissões não podem ser instaladas, os membros não são indicados e o caso permanece restrito ao âmbito do Judiciário e da Polícia Federal, sob a relatoria do Supremo Tribunal Federal (STF).
Lideranças partidárias que assinaram os requerimentos prometem acionar o próprio STF para garantir o direito das minorias parlamentares à instalação da comissão, argumentando que, uma vez preenchidos os requisitos constitucionais (como o número mínimo de assinaturas), a leitura e criação do colegiado deixam de ser um ato discricionário do presidente e passam a ser uma obrigação constitucional. Enquanto o cabo de guerra jurídico se desenha, o Palácio do Planalto acompanha o movimento de longe, ciente de que qualquer faísca envolvendo o Banco Master pode desestabilizar a já fragilizada base aliada no Congresso.
