A teia de escândalos envolvendo o Banco Master e o sistema financeiro nacional ganhou um novo e dramático capítulo na manhã desta quinta-feira (14). A Polícia Federal deflagrou a sexta fase da Operação Compliance Zero e prendeu preventivamente o empresário Henrique Vorcaro, pai do banqueiro e ex-controlador do banco, Daniel Vorcaro. A ordem de prisão foi expedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
A captura ocorreu em Belo Horizonte (MG), em um momento emblemático: o patriarca se preparava para embarcar rumo a Brasília, onde visitaria o próprio filho, que já se encontra detido na carceragem da Superintendência da Polícia Federal na capital federal.
Ocultação de patrimônio e a cifra de R$ 1 bilhão
O foco central que levou Henrique Vorcaro para trás das grades é a suspeita de que ele atuava como peça fundamental na engrenagem de lavagem de dinheiro arquitetada pelo filho. Segundo relatórios de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o empresário — que é diretor-presidente do Grupo Multipar, um forte conglomerado mineiro de infraestrutura e engenharia — teria movimentado mais de R$ 1 bilhão entre os anos de 2020 e 2025.
As investigações apontam que essas transações, realizadas inclusive através de gestoras de investimentos, ocorreram exclusivamente entre contas ligadas ao ex-dono do Banco Master. Para os investigadores da Diretoria de Combate ao Crime Organizado (Dicor), a manobra configura uma clara tentativa de ocultação de ativos, esvaziando o patrimônio do filho para blindá-lo de bloqueios judiciais e dificultar o rastreamento do dinheiro desviado.
“A Turma”: A milícia corporativa do esquema
Além das fraudes financeiras e das negociações de títulos sem lastro envolvendo o Master e o Banco de Brasília (BRB), a nova fase da operação revelou um submundo de ameaças. A investida da PF teve como alvo principal uma estrutura criminosa apelidada de “A Turma”.
De acordo com o inquérito, esse grupo funcionava como uma espécie de milícia privada a serviço do esquema. Suas funções incluíam intimidação, coerção de testemunhas e desafetos, violação de sigilo funcional e a contratação de hackers para a invasão de dispositivos informáticos e obtenção de informações sigilosas. O objetivo era monitorar e chantagear quem representasse risco aos negócios ilícitos do banco.
Os números da 6ª fase da Compliance Zero
Para desarticular essa rede de espionagem e lavagem de dinheiro, a Polícia Federal foi às ruas nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Ao todo, a operação cumpriu:
- 7 mandados de prisão preventiva;
- 17 mandados de busca e apreensão;
- Afastamento cautelar de servidores públicos envolvidos;
- Novas ordens de sequestro e bloqueio de bens.
Os investigados nesta fase responderão por um vasto leque de crimes, que vão desde corrupção e lavagem de capitais até organização criminosa, ameaça e violação de sigilo.
O recado das autoridades ao mercado financeiro
O avanço ininterrupto da Operação Compliance Zero, agora em sua sexta fase, demonstra a intolerância do STF e da Polícia Federal com estruturas sistêmicas de fraudes bancárias. Com o bloqueio de dezenas de bilhões de reais já efetuado em fases anteriores e a prisão de todo o alto escalão familiar e corporativo ligado a Daniel Vorcaro, as autoridades enviam uma mensagem clara: o uso de instituições financeiras, fundos de investimento e empresas de fachada não será suficiente para garantir a impunidade ou a preservação de patrimônios erguidos à margem da lei.
O caso segue sob sigilo na Suprema Corte, enquanto a Polícia Federal analisa os dispositivos eletrônicos e documentos apreendidos nesta manhã para identificar novos beneficiários e possíveis “laranjas” utilizados pela organização.