quinta-feira, 21 de maio de 2026
O Ministério da Saúde decidiu NÃO incluir o imunizante no calendário público

Saúde decide não incluir vacina contra meningite B no SUS por custo e impacto orçamentário

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Francisco Félix

Publicado em: 06/05/26 – 15:39

Saúde decide não incluir vacina contra meningite B no SUS por custo e impacto orçamentário

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Publicado em: 06/05/2026
15:39
O Ministério da Saúde decidiu NÃO incluir o imunizante no calendário público

O Ministério da Saúde decidiu não incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) a vacina contra meningite do tipo B para crianças menores de 1 ano. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e mantém o imunizante fora do calendário público infantil.

Com isso, a proteção contra o sorogrupo mais frequente da doença meningocócica no país seguirá disponível apenas na rede privada. Atualmente, o custo por dose varia entre R$ 600 e R$ 750, podendo ultrapassar R$ 2 mil no esquema completo.

Segundo análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), fatores econômicos e técnicos pesaram na decisão. Entre eles, o alto custo da vacina, o impacto no orçamento público e avaliações que indicaram relação custo-efetividade desfavorável para inclusão ampla no sistema.

Outro ponto considerado foi a limitação de oferta: o quantitativo disponível atualmente atenderia apenas cerca de 15% da demanda nacional. Além disso, há incertezas sobre a duração da proteção do imunizante e seu impacto na redução da circulação da bactéria.

O orçamento anual do Programa Nacional de Imunizações é de aproximadamente R$ 8 bilhões, destinado a mais de 30 vacinas. A incorporação da vacina contra meningite B poderia consumir quase 70% desse valor ao ano, segundo estimativas da pasta.

Apesar da decisão, o governo informou que a medida não é definitiva e pode ser revista futuramente, caso surjam novas evidências científicas ou haja redução de custos.

Situação da doença preocupa

Dados recentes apontam que, em 2025, o Brasil registrou 2.357 casos de meningite bacteriana, com 454 mortes. Desses, 138 casos foram atribuídos ao sorogrupo B, responsável por 21 óbitos.

A doença meningocócica é considerada grave, com letalidade média de 24% no Brasil, mais que o dobro da média mundial, estimada em cerca de 10%. Entre os sobreviventes, de 10% a 20% podem apresentar sequelas severas, como surdez, amputações ou danos neurológicos.

Sem tratamento, a meningite pode ser fatal em até 50% dos casos. O sorogrupo B é o mais prevalente entre crianças de 0 a 4 anos, justamente o público-alvo da vacina não incorporada ao SUS.

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