Depoimento aponta vazamento de informações por agentes e levanta suspeitas sobre atuação interna na PM paulista
Um integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), atualmente na condição de testemunha protegida, é apontado como o responsável por denunciar tanto o suposto envolvimento de policiais militares da Rota com a facção quanto a existência de um plano para assassinar o senador Sergio Moro (PL-PR) e o promotor de Justiça Lincoln Gakyia.
A informação consta em depoimento prestado por Gakyia à Corregedoria da Polícia Militar. O promotor integra o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, e atua há mais de duas décadas em investigações relacionadas ao PCC.
Segundo o relato, o caso envolvendo possíveis vazamentos de informações por policiais do setor de inteligência da Rota teria sido identificado em outubro de 2021. Na ocasião, o integrante da facção foi recebido na sede da tropa de elite da Polícia Militar de São Paulo e prestou depoimento por cerca de quatro horas.
De acordo com Gakyia, o denunciante afirmou que policiais estariam repassando informações estratégicas para proteger lideranças da facção. Entre os casos citados está a fuga de Marcos Roberto de Almeida, conhecido como Tuta, durante a chamada Operação Sharks, supostamente em razão de vazamentos internos.
O promotor relatou ainda que levou as informações ao então comandante-geral da corporação, José Augusto Coutinho. No entanto, segundo o depoimento, não há registros de providências adotadas à época.
O episódio ganhou novos desdobramentos após a saída de Coutinho do comando da PM, depois de ser citado em um inquérito policial militar relacionado ao caso.
As denúncias ampliam as preocupações sobre infiltração do crime organizado em instituições de segurança pública e reforçam a complexidade do combate ao PCC, considerado uma das maiores facções criminosas do país.
