As empresas estatais federais registraram um déficit de R$ 4,16 bilhões nos dois primeiros meses de 2026, o pior resultado para o período desde o início da série histórica, em 2002. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (31) pelo Banco Central do Brasil.
O rombo já se aproxima de todo o resultado negativo registrado ao longo de 2025, quando o déficit somou cerca de R$ 5,1 bilhões, evidenciando uma deterioração mais acelerada das contas neste início de ano.
Déficit ocorre quando as despesas superam as receitas, enquanto o superávit representa o cenário oposto.
Segundo o levantamento, o resultado negativo se concentra principalmente nos primeiros meses do ano. Apenas em janeiro, as estatais registraram um déficit de R$ 4,9 bilhões, indicando forte pressão fiscal logo no começo de 2026.
O indicador considera apenas estatais federais que não incluem grandes companhias como a Petrobras e a Eletrobras. Dessa forma, os números refletem sobretudo a situação de empresas dependentes do Tesouro Nacional ou com maior fragilidade financeira.
Entre os principais fatores para o resultado negativo está a situação dos Correios, que vêm pressionando as contas do setor. Em dezembro, a estatal contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões para financiar capital de giro.
A piora ocorre em um momento em que o governo federal já revisou para cima a estimativa de déficit das estatais em 2026, diante da expectativa de resultados negativos mais elevados ao longo do ano.
O cenário aumenta a pressão sobre o debate fiscal no país e deve intensificar discussões sobre a necessidade de reestruturação das empresas públicas e maior controle de despesas, especialmente em meio à busca por equilíbrio das contas públicas.
