O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, reagiu negativamente ao saber, no último domingo (29), que havia sido preterido na disputa interna do PSD para a escolha do pré-candidato à Presidência da República. O escolhido foi o governador de Goiás, Ronaldo Caiado.
A decisão foi comunicada pelo presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, que viajou até Porto Alegre para informar pessoalmente Leite antes da oficialização. Segundo Kassab, a escolha por Caiado levou em consideração o potencial do goiano em ampliar o eleitorado, especialmente entre eleitores ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao senador Flávio Bolsonaro, diante de possíveis ataques do PT.
Leite, no entanto, contestou os critérios adotados pela sigla. O governador gaúcho afirmou que, há pelo menos seis meses, o PSD vinha defendendo uma candidatura de centro ao Palácio do Planalto e argumentou que o perfil de Caiado não se encaixa nesse projeto.
Segundo Leite, sua postura mais moderada poderia atrair o apoio de partidos relevantes, como o PSDB e o MDB, além de nomes influentes da economia, como Persio Arida e Armínio Fraga.
Desafio interno no PSD
Com a definição, Caiado agora terá o desafio de pacificar o partido e consolidar sua candidatura. A expectativa é que o governador de Goiás busque diálogo com Eduardo Leite nos próximos dias, convidando-o a colaborar na elaboração do plano de governo.
Apesar da tentativa de aproximação, há divergências importantes entre os dois. Um dos principais pontos de atrito é o posicionamento de Caiado favorável à anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro — medida considerada inadmissível por Leite.
Além de resolver tensões internas, Caiado também terá como missão ampliar o alcance de seu projeto político nacional, buscando apoio fora do partido e fortalecendo alianças para a disputa presidencial.