Profissionais assumem cargos de liderança e ampliam participação em um setor historicamente masculino
O setor da construção civil em Goiás, tradicionalmente dominado por homens, começou a apresentar mudanças significativas em 2025. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho e Emprego, apontam que a presença feminina no setor aumentou 24,91% entre 2024 e 2025.
A mudança é observada tanto nas estatísticas quanto na rotina dos canteiros de obras. Neste Dia Internacional da Mulher, histórias de profissionais mostram como mulheres vêm ocupando cada vez mais espaços de liderança e decisão em um ambiente historicamente masculino.
Segundo os dados, o setor da construção civil em Goiás encerrou 2025 com 102.020 empregos formais, registrando uma variação positiva de 4,56% no ano. O recorte de gênero chama atenção: o saldo de mulheres empregadas — diferença entre contratações e desligamentos — passou de 851 em 2024 para 1.063 em 2025.
Liderança feminina nas obras
Essa mudança também é percebida no cotidiano de profissionais como a engenheira civil Paula Gomes da Silva Gomides, de 26 anos. Ela relata que o cenário evoluiu bastante desde que iniciou na área, há cerca de oito anos, quando a presença feminina em obras era rara.
Atualmente, Paula é responsável pela obra Gran Porto, na cidade de Goiânia, onde lidera uma equipe de 16 profissionais — 10 deles mulheres.
“Com o tempo, esse cenário mudou. Hoje, na regional Goiânia/Anápolis/Aparecida de Goiânia, somos maioria”, afirma.
Desafios no canteiro de obras
A engenheira Gabriela Miranda de Morais, de 31 anos, atua como coordenadora de obras e também observa uma transformação no setor.
Para ela, o crescimento da participação feminina representa uma mudança estrutural na construção civil em Goiás.
“Ver hoje um crescimento da presença feminina nesses cargos mostra que o setor está passando por uma transformação importante”, destaca.
Gabriela explica que liderar equipes em canteiros de obras exige muito mais do que autoridade formal.
“A dinâmica da liderança está muito mais relacionada à postura, clareza nas decisões e respeito mútuo do que ao gênero”, afirma.
Superando barreiras culturais
Apesar dos avanços, o setor ainda carrega uma cultura historicamente masculina. Segundo Gabriela, situações de preconceito ainda podem ocorrer, geralmente de forma sutil.
“Às vezes aparecem questionamentos iniciais ou surpresa ao ver uma mulher em posição de liderança no canteiro”, relata.
Para enfrentar essas barreiras, ela afirma que a estratégia tem sido investir em conhecimento técnico, postura profissional e consistência nas decisões.
Na regional de Goiás da MRV Engenharia, onde as profissionais atuam, as mulheres já ocupam cerca de 60% dos cargos de liderança, refletindo a transformação gradual do setor.
Habilidades e perspectivas
Na avaliação das profissionais, a presença feminina tem contribuído para melhorias na organização de processos, comunicação entre equipes e gestão de projetos.
Em ambientes complexos, com diversas frentes de trabalho simultâneas, uma visão estruturada e colaborativa pode ser decisiva para o andamento das obras.
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