A Polícia Civil de Goiás informou nesta quarta-feira (4 de março de 2026) a prisão em Caldas Novas de um adolescente de 15 anos suspeito de ser o autor dos mandados de prisão falsos que circularam em sistemas informativos de órgãos públicos brasileiros com os nomes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O mandado de prisão fraudulento chegou a ser vinculado a sistemas oficiais antes de ser derrubado, causando alarme e preocupação nos órgãos de segurança jurídica.
De acordo com a investigação da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC-PCGO), o adolescente hackeou perfis de servidores e magistrados do sistema judicial para obter acesso indevido a plataformas como o BNMP (Banco Nacional de Mandados de Prisão) e o Projudi — plataforma usada para tramitação de processos eletrônicos em alguns tribunais. Com esses acessos, ele teria conseguido inserir e divulgar mandados falsos que vinculavam Lula e Moraes a ordens de prisão inexistentes, gerando confusão nos registros oficiais e nas redes sociais.
As apurações começaram após a descoberta das irregularidades nos sistemas, o que levou as autoridades a monitorarem movimentações suspeitas em acessos e erros de integração nos bancos de dados judiciais. A investigação identificou que o adolescente não apenas criou os mandados falsos, mas também teria vendido serviços ilegais de alteração de dados judiciais a terceiros, oferecendo a “limpeza” e manipulação de registros em troca de pagamento — esquema que teria movimentado valores e credenciais sensíveis.
A prisão aconteceu depois de diligências que envolveram troca de informações com outras unidades da Polícia Civil de diferentes estados. O menor foi localizado em sua residência em Caldas Novas e detido em flagrante, com apreensão de equipamentos eletrônicos e materiais que podem abastecer novas linhas de investigação, conforme informado pela corporação.
Segundo os investigadores, o caso representa um crime de alto impacto no ambiente digital e na segurança institucional, pois envolveu acesso indevido a sistemas judiciais, manipulação de dados e a propagação de informações que colocaram em dúvida a integridade de órgãos de controle. A Polícia Civil informou que a apuração continuará em curso para identificar possíveis outros envolvidos e a extensão do dano causado por essas fraudes.
A prisão do adolescente foi formalizada pela DERCC, que também coordena os procedimentos legais e a continuidade das análises periciais em plataformas digitais comprometidas, além de colaborar com órgãos judiciais para reforçar a segurança dos sistemas afetados e prevenir novas tentativas de fraude.