Alta real foi de 3,56% em relação ao mesmo mês do ano passado; governo também elevou imposto de importação para 1.252 produtos
A arrecadação federal com impostos, contribuições e demais receitas somou R$ 325,8 bilhões em janeiro deste ano, informou a Receita Federal nesta terça-feira (24). O valor representa aumento real de 3,56% na comparação com o mesmo mês de 2025, quando o recolhimento atingiu R$ 314,54 bilhões, já corrigidos pela inflação.
Segundo o órgão, trata-se do maior resultado para o mês de janeiro desde o início da série histórica, em 1995. O desempenho consolida o primeiro mês do ano como recorde absoluto, tanto em termos nominais quanto reais, ao longo de 32 anos de acompanhamento estatístico.
O resultado ocorre em meio a um cenário de reforço da arrecadação federal e ampliação de medidas tributárias adotadas pelo Executivo no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No mesmo dia da divulgação dos dados fiscais, foi destacada a decisão do governo de elevar o Imposto de Importação para 1.252 produtos dos setores de máquinas, equipamentos e tecnologia, incluindo computadores e smartphones.
A medida foi aprovada pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) no início do mês e passa a valer a partir de março. As alíquotas passam a variar entre 7,2% e 25%, com faixas intermediárias de 10%, 12,6%, 15% e 20%.
O governo sustenta que a recomposição tarifária busca proteger a indústria nacional. A decisão, no entanto, ocorre no momento em que o país registra recorde de arrecadação e amplia a carga tributária incidente sobre determinados segmentos.
A Associação Brasileira dos Importadores (ABIMP) avalia que a elevação das tarifas pode impactar preços e custos de produção. A entidade citou como exemplo o aumento da alíquota de smartphones, que passou de 16% para 20% em fevereiro de 2026.
Segundo a associação, parte relevante dos produtos atingidos corresponde a bens intermediários e componentes utilizados na indústria nacional, o que pode afetar cadeias produtivas integradas e pressionar custos. A entidade também aponta que mudanças na estrutura tarifária interferem no planejamento industrial e nos prazos de abastecimento, especialmente em setores dependentes de insumos importados.