Nesta sexta-feira (14 de fevereiro de 2026), o ministro André Mendonça assumiu oficialmente a relatoria do caso envolvendo as supostas fraudes financeiras do Banco Master S.A., um processo emblemático que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). Mendonça passa a liderar o inquérito depois que o ministro Dias Toffoli solicitou sua saída da função, decisão tomada em meio a pressões e menções ao nome de Toffoli em dados apreendidos pela Polícia Federal (PF) no celular do empresário investigado, Daniel Vorcaro, controlador do banco.
O caso Master ganhou grande repercussão por envolver suspeitas de fraudes financeiras em larga escala, incluindo alegações de venda de carteiras de crédito irregulares e danos a investidores e ao sistema financeiro, além de potenciais impactos no Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A PF apresentou um relatório com referências a Toffoli, o que motivou a reorganização da relatoria por sorteio eletrônico entre os ministros do STF. Toffoli negou qualquer relação imprópria ou recebimento de vantagens e declarou que não havia impedimento legal para seguir no caso, mas acatou a movimentação interna no tribunal para redistribuição.
A escolha de Mendonça atende às regras internas da Corte, que prevêem o sorteio eletrônico quando um relator se afasta, e tem implicações diretas sobre o andamento das investigações. Como relator, o ministro terá papel **central na condução do processo, incluindo autorização de diligências, análise de pedidos de medidas cautelares, controle de relatórios e eventual envio de ações penais se a Procuradoria-Geral da República (PGR) formalizar acusações. O relator também poderá determinar a continuidade ou expansão de apurações com base nas informações recebidas da PF e de órgãos de controle.
Nesta sexta, Mendonça se reuniu com delegados da Polícia Federal que investigam o caso para alinhar os próximos passos e receber uma atualização técnica sobre o andamento das diligências. Essa articulação inicial é vista como fundamental para que o novo relator compreenda integralmente as provas já colhidas e os possíveis próximos desdobramentos, enquanto a investigação ainda está em fase de coleta de elementos probatórios.
A troca de relatoria acontece em um momento em que o episódio do Banco Master já provocou debates sobre transparência institucional, conflitos de interesse e a independência das instituições judiciais brasileiras, especialmente diante do impacto expressivo do caso e da expectativa de que as investigações possam atingir nomes influentes no setor financeiro e, possivelmente, em esferas políticas.
A situação segue sob sigilo judicial em diversos pontos, e os próximos passos dependem tanto da continuidade das apurações da Polícia Federal quanto de eventuais ações ou denúncias que a PGR venha a apresentar, algo que pode ocorrer nas próximas semanas conforme o caso se desenvolve.


