Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passaram a demonstrar otimismo em relação à possibilidade de aprovação do fim da escala de trabalho 6×1 ainda antes das eleições de outubro. A expectativa cresceu após sinalizações do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), de que estaria disposto a discutir e patrocinar o avanço da proposta.
Inicialmente, conforme apurou a coluna de Igor Gadelha, no portal Metrópoles, o Palácio do Planalto avaliava com cautela a posição de Motta. Havia dúvidas sobre a disposição do parlamentar em enfrentar o forte lobby do empresariado e as instabilidades internas da Câmara para levar o tema adiante.
O cenário, no entanto, teria mudado após gestos recentes do presidente da Câmara, interpretados por auxiliares do governo como uma aproximação política com foco eleitoral. Motta teria afirmado a aliados que está aberto ao debate sobre o fim da escala 6×1, considerada uma pauta sensível, mas popular entre trabalhadores.
Segundo a apuração, Hugo Motta enfrenta uma dependência eleitoral. Ele pretende disputar a reeleição como deputado federal pela Paraíba e, caso obtenha sucesso, buscar novamente a presidência da Câmara em 2027. Além disso, trabalha para viabilizar a candidatura de seu pai, Nabor Wanderley, atual prefeito de Patos (PB), ao Senado Federal em 2026.
A disputa pelas duas vagas ao Senado na Paraíba deve contar com outros nomes politicamente próximos a Lula, o que amplia o peso do alinhamento com o governo federal.
O fim da escala 6×1 é tratado como prioridade do governo no Congresso Nacional no primeiro semestre de 2026. A proposta é vista pelo PT como uma vitrine eleitoral para a campanha de Lula à reeleição.
Como parte da estratégia para acelerar a tramitação do tema, o presidente Lula marcou uma reunião com Hugo Motta para a próxima semana. O encontro contará com a presença da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.


