Em um movimento estratégico para reforçar sua presença no Ártico, o governo do então presidente Donald Trump encomendou à Finlândia a construção de uma nova frota de navios quebra-gelos. O país nórdico é considerado líder mundial absoluto no setor, responsável por projetar cerca de 80% e construir 60% dos quebra-gelos atualmente em operação no mundo.
O acordo prevê embarcações de última geração, fundamentais para a navegação em mares congelados e para a segurança nacional dos Estados Unidos diante do avanço da Rússia e da China na região polar. A expertise finlandesa foi desenvolvida por necessidade: todos os portos do país congelam durante o inverno, exigindo tecnologia altamente especializada.
A decisão representa uma exceção rara à legislação americana, que determina que embarcações da Guarda Costeira dos EUA sejam fabricadas em território nacional. Trump justificou a compra no exterior por “motivos de segurança nacional”, alegando a urgência em modernizar a frota americana, que atualmente conta com apenas três quebra-gelos, enquanto a Rússia possui cerca de 40.
O interesse dos Estados Unidos pelo Ártico cresce à medida que as mudanças climáticas tornam a região mais navegável, abrindo novas rotas comerciais e facilitando o acesso a importantes reservas de petróleo e gás natural.
Apesar da parceria tecnológica, o contexto diplomático é delicado. As declarações de Trump sobre a Groenlândia e as tensões comerciais entre os Estados Unidos e a União Europeia levantam incertezas sobre os desdobramentos políticos do acordo.
Para especialistas em geopolítica, os navios vão além da utilidade operacional: representam uma ferramenta de projeção de poder em uma das áreas mais estratégicas e disputadas do planeta. Com a entrega do primeiro navio prevista para 2028, Washington busca reequilibrar forças no extremo norte e reforçar sua soberania nas águas polares.

