O caso do desaparecimento da corretora Daiane Alves de Souza, de 43 anos, em Caldas Novas (GO) ganhou um novo capítulo jurídico nesta sábado (24 de janeiro de 2026) com a denúncia formal do Ministério Público de Goiás (MP-GO) contra o síndico do prédio onde ela morava, Cleber Rosa de Oliveira, de 50 anos. A ação foi apresentada sob a acusação de perseguição contra a vítima, integrando uma das frentes de apuração sobre as circunstâncias que cercam o sumiço ainda sem explicação.
De acordo com os autos, a relação entre Cleber e Daiane vinha se deteriorando desde novembro de 2024, quando divergências começaram após a corretora alugar um dos apartamentos do condomínio em número de hóspedes superior ao permitido pelo regulamento interno. A partir desse episódio, a denúncia aponta que o síndico teria adotado uma série de atitudes voltadas a perturbar a liberdade e a tranquilidade da vítima. Entre os comportamentos descritos estão ameaças à integridade física e psicológica da mulher, interferências técnicas na unidade dela e restrições indevidas ao acesso e manutenção dos serviços básicos.
O MP-GO afirma que Cleber teria utilizado a posição de autoridade como administrador do prédio para monitorar constantemente a rotina de Daiane, inclusive por meio de mensagens, além de supostamente sabotar serviços essenciais, como água, internet, gás e eletricidade nos apartamentos que pertenciam à família da corretora. Em um dos episódios citados na denúncia, relatos indicam que o gestor chegou inclusive a agredi-la com uma cotovelada durante uma discussão em fevereiro de 2025.
Segundo a denúncia, todos esses fatos configuram atos repetidos de perseguição, os quais teriam gerado restrição à liberdade de locomoção e perturbado a privacidade de Daiane antes de seu desaparecimento no dia 17 de dezembro de 2025. Naquela data, câmeras de segurança registraram a corretora descendo ao subsolo do edifício para resolver uma queda de energia em seu apartamento, mas ela nunca mais foi vista — gerando um mistério que ainda não foi solucionado pela Polícia Civil.
Além da denúncia penal, o documento do MP também estabeleceu obrigação de indenização por danos morais no valor de dois salários mínimos, em razão dos prejuízos sofridos pela vítima em decorrência das condutas atribuídas ao síndico durante o convívio no condomínio. A defesa de Cleber Rosa de Oliveira ainda não foi localizada para comentar a denúncia, e a Justiça ainda não fixou uma data para a primeira audiência.
O desaparecimento de Daiane segue sendo investigado pela 19ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Caldas Novas, com apoio de uma força-tarefa que busca esclarecer os detalhes do caso e localizar a corretora, enquanto a família reclama da ausência de respostas concretas sobre o paradeiro dela e sobre o que ocorreu após ela entrar no subsolo do edifício.


