Brasília, 22 de janeiro de 2026 – O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) anunciou nesta quarta-feira (21) a mobilização de brigadas de jovens para atuarem na Venezuela e na Faixa de Gaza, com o objetivo declarado de colaborar com processos de reconstrução e intercâmbio de conhecimentos agrícolas. A declaração foi feita por Simone Magalhães, representante do Setor Internacionalista do MST, em entrevista à televisão estatal venezuelana.
Segundo Magalhães, as brigadas terão como foco a troca de experiências em produção agroecológica, técnicas formativas e desenvolvimento de agroindústria, áreas nas quais o movimento acumula décadas de atuação no Brasil. “O Movimento Sem Terra do Brasil vai enviar uma brigada grande de jovens para continuar esse processo. Desde o produtivo, formativo, o que nós temos para intercambiar, que é nossa produção de alimentos agroecológicos, saudáveis, a produção de agroindústria”, declarou a historiadora.
Além da missão na Venezuela, a dirigente anunciou também uma frente voltada para a Faixa de Gaza, onde, segundo ela, o objetivo será “ajudar a fortalecer” os camponeses do enclave palestino. Entretanto, o MST ainda não divulgou datas, número de participantes ou detalhes logísticos dessas operações.
O anúncio ocorre em um cenário geopolítico delicado. Na Venezuela, após a captura do presidente Nicolás Maduro em uma operação militar coordenada pelos Estados Unidos no início de janeiro de 2026, o Tribunal Supremo de Justiça nomeou Delcy Rodríguez como presidente interina, numa tentativa de manter a estabilidade institucional.
Rodríguez vem conduzindo um governo de transição apoiado pelas Forças Armadas enquanto negociações diplomáticas com os Estados Unidos e atores regionais estão em andamento. Já na Faixa de Gaza, apesar de um acordo de paz implementado no último ano, a fase de reconstrução ainda depende da consolidação de um governo administrativo e da normalização de condições de segurança e infraestrutura.
O anúncio do MST gerou repercussão diversa, com debates sobre o papel de movimentos sociais em intervenções internacionais e as implicações diplomáticas desses envios em contextos de pós-conflito.


