Parte dos ministros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a defender, nos bastidores, que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes autorize o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a cumprir pena em regime domiciliar.
A avaliação foi relatada por ao menos três ministros do governo federal à coluna do jornalista Igor Gadelha, sob condição de anonimato. Segundo os auxiliares de Lula, a concessão do benefício seria uma questão de “coerência”, uma vez que o mesmo regime foi autorizado ao ex-presidente Fernando Collor de Mello.
“Por que o Collor está em casa e ele (Bolsonaro) não? Precisa ter coerência”, afirmou um ministro influente que mantém despachos frequentes com o presidente Lula.
Outro integrante da Esplanada ponderou que Bolsonaro, por ter exercido a Presidência da República, deveria receber tratamento diferenciado. “O cara é ex-presidente, tem que ter algum grau de diferenciação mesmo”, avaliou.
Desde a última quinta-feira (22/1), Jair Bolsonaro cumpre pena na chamada “Papudinha”, unidade da Polícia Militar do Distrito Federal localizada dentro do Complexo da Papuda, em Brasília. O local é tradicionalmente destinado à custódia de autoridades.
Familiares e aliados do ex-presidente também pressionam pela concessão da prisão domiciliar. O principal argumento apresentado é o estado de saúde de Bolsonaro, que, segundo eles, estaria debilitado.
Até o momento, não há manifestação oficial do STF sobre eventual mudança no regime de cumprimento da pena.

