Após quase oito anos desaparecido, Claudio Bento Pinto, de 47 anos, foi localizado e reencontrou a família na noite de terça-feira (7), em Iporá, no oeste goiano. Ele estava desaparecido desde 24 de junho de 2018 e foi encontrado durante uma abordagem social de rotina realizada pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), na região central da cidade.

Claudio foi localizado enquanto mexia em uma lixeira e apresentava sinais evidentes de vulnerabilidade social e psíquica. Segundo a diretora do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Iporá, Santiele Vieira, o município realiza diariamente ações de abordagem social, de segunda a sexta-feira, com o objetivo de identificar pessoas em situação de rua ou extrema vulnerabilidade e promover acolhimento e encaminhamentos necessários.

Durante uma dessas ações, a abordadora social Denilda percebeu que Claudio apresentava confusão mental e dificuldades de comunicação, o que chamou sua atenção. Ele recolhia lixo pelas ruas da cidade e armazenava o material embaixo de uma ponte, onde havia improvisado um local para permanecer.

Diante da situação, a equipe do Creas realizou o encaminhamento imediato de Claudio ao Caps, onde ele recebeu acolhimento, alimentação, banho e atendimento médico psiquiátrico. Durante o atendimento inicial, mesmo sem portar documentos, ele apresentou momentos de lucidez e conseguiu informar seu nome completo à equipe de enfermagem.

A partir da informação, a equipe realizou uma busca na internet e encontrou uma publicação antiga que noticiava o desaparecimento de Claudio na região de Jataí. Conforme a reportagem, ele estava desaparecido desde 24 de junho de 2018, quando foi visto caminhando às margens de uma rodovia com uma mochila. O texto também apontava que Claudio possuía diagnóstico de esquizofrenia e já havia desaparecido em outras ocasiões.

Durante a entrevista de acolhimento no Caps, Claudio apresentou falas desconexas, compatíveis com o quadro psiquiátrico. No entanto, ao ser apresentada à imagem divulgada na reportagem de 2018, ele se reconheceu imediatamente e afirmou: “Esse aí sou eu”.

Com a confirmação da identidade, a equipe do Caps acionou a Polícia Civil de Iporá, que iniciou os procedimentos legais para localizar os familiares. Claudio permaneceu sob os cuidados do Creas e do Caps até o reencontro com a família, que ocorreu por volta das 22h do mesmo dia.

Segundo Santiele Vieira, o momento foi marcado por forte comoção entre os profissionais e familiares envolvidos. “O extraordinário acontece em dias normais. Foi um extraordinário de Deus na vida do Claudio e para todas as equipes envolvidas”, afirmou.

A mãe de Claudio, que durante anos manteve buscas pelo paradeiro do filho, faleceu antes de conseguir reencontrá-lo.

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