A China anunciou que passará a aplicar uma tarifa adicional de 55% sobre a importação de carne bovina que exceder as cotas anuais estabelecidas para países fornecedores. A medida começa a valer em 1º de janeiro de 2026 e terá duração de três anos, segundo informou o Ministério do Comércio chinês.
O Brasil, maior fornecedor de carne bovina ao mercado chinês, contará com a maior cota individual, superior a 1,1 milhão de toneladas em 2026, com aumento gradual até 2028. Austrália, Argentina, Uruguai, Nova Zelândia e Estados Unidos também estão incluídos no sistema de cotas.

De acordo com o governo chinês, a decisão tem caráter de medida de salvaguarda, com o objetivo de proteger a produção doméstica diante do crescimento das importações e do excesso de oferta no mercado interno. Em 2024, a China importou cerca de 2,87 milhões de toneladas de carne bovina, volume considerado elevado pelas autoridades.
Dados da alfândega chinesa indicam que, apenas nos primeiros 11 meses de 2025, o Brasil já exportou 1,33 milhão de toneladas para a China — volume acima do limite previsto nas novas regras.
Especialistas avaliam que a tarifa pode provocar redução das importações chinesas em 2026, ao mesmo tempo em que pressiona exportadores a buscar novos mercados. A medida ocorre em um contexto de escassez global de carne bovina, que vem elevando os preços internacionais.


